entrevista novembro: Mário Bortolotto
Novembro: Balangandans entrevistou Mário Bortolotto
Mário Bortolotto é ator, diretor e dramaturgo. Nasceu em 1962, em Londrina-PR e desde 1996 mora e trabalha em São Paulo, capital. Estudou em seminário e na adolescência iniciou sua carreira artística no teatro e na literatura. Participou de inúmeros festivais de teatro pelo Brasil, sempre com o Grupo Cemitério de Automóveis, do qual é fundador (em 2007 o grupo completou 25 anos de existência). Em 2000 ganhou o Prêmio APCA pelo conjunto da obra e o Prêmio Shell de melhor autor por sua peça Nossa vida não vale um Chevrolet. Em 2003, recebeu o prêmio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte por seu trabalho no curta-metragem Enjaulados, de Luiz Montes. Com um estilo calcado em histórias em quadrinhos, cinema, blues, rock e o universo beatnik, o escritor cria espetáculos com estilo próprio. Além de atuar, escrever e dirigir seus espetáculos, participa como vocalista e compositor das bandas “Saco de Ratos Blues” e “Tempo Instável”. Gravou o cd de blues Cachorros gostam de Bourbon com composições suas.
Leia abaixo a íntegra da entrevista.
Balangandans: O seu envolvimento com o universo beatnik é bem conhecido de todos: os artistas deste movimento lhe influenciaram bastante. Como acontece a adaptação desta estética ao universo da arte brasileira, mais especificamente, ao teatro?
Bortolotto: Não faço idéia. Nem vejo necessidade de adaptar nada. Sou naturalmente influenciado pelas coisas que leio e me identifico, mas não fico pensando nisso quando vou fazer algo meu. As influências aparecem naturalmente.
Balangandans: Em alguns casos, você atua nas peças que dirige. Como se dá esta articulação entre o ator Mário – aquele que está de corpo presente na cena – e o diretor – aquele que está “por trás” da cena, coordenando tudo, inclusive o ator?
Bortolotto: Quando estou em cena, é um ator a menos pra eu dirigir.
Balangandans: Além de escritor, diretor e ator, você é também músico. Fale um pouco do seu trabalho com a banda “Saco de Ratos” e como a dramaturgia e música se entrelaçam na sua obra.
Bortolotto: Sou fissurado em música. Quando era criança, passava a manhã inteira ouvindo rádio, anotando letras de música, criando a minha própria “parada musical”. Pra mim é também bastante natural fazer parte de uma banda. Desde moleque sempre toquei e cantei em bandas. Quando tava no seminário, tocava violão e cantava na missa. Enfim, é natural, só isso. Estou em duas bandas atualmente: a “Saco de Ratos” e a “Tempo Instável” que acabou de lançar o primeiro CD.
Balangandans: Comente um pouco a adaptação feita para o cinema da peça Nossa vida não vale um Chevrolet. A que você atribui o fato de, ultimamente, estarem acontecendo tantas adaptações cinematográficas de livros e peças de teatro?
Bortolotto: Tô cansado de falar sobre essa adaptação. É bacana ter trabalhos meus adaptados pro cinema, mas é notório que tive problemas com essa adaptação especificamente. Não gostei do trabalho do roteirista. Ele não tinha competência pra trabalhar com um texto meu. Quanto ao fato de estarem acontecendo tantas adaptações, só posso dizer que demorou, né?
Balangandans: Algum trabalho novo em andamento?
Bortolotto: Tô escrevendo tipo uns três textos de teatro, tô com três romances em andamento, um livro de contos e um de poesia praticamente pronto. E a “Saco de Ratos” tá gravando o primeiro CD.
Balangandans: Para terminar, gostaríamos que você falasse um pouco sobre outros dramaturgos contemporâneos que você admira e que você gostaria de indicar para nossos leitores.
Bortolotto: Gosto de uma pá de caras: Marcelo Rubens Paiva, Sérgio Mello, Paulo F., João Fábio Cabral, Marcos Gomes, Paula Chagas, Bosco Brasil, Roberto Alvim, Daniela Pereira e Jarbas Capusso estão entre os meus preferidos.
Assista ao vídeo da leitura do texto Do lado de cá da cidade, que está no livro Para os inocentes que ficaram em casa.




Mais um texto incrivel de Bortolotto.´Amei.
È sempre um presente ver, ouvir, o Mario no palco, como a arte toma rumos diferentes em suas mãos, tive a oportunidade de ve-lo algumas vezes e sempre foi, viceral.