entrevista fevereiro: Ceumar

Fevereiro:  Balangandans entrevista Ceumar

Fernanda Serra Azul

Ceumar - foto: Fernanda Serra Azul

Música sempre fez parte da casa de Ceumar. Seu pai, Clélio, era cantor na juventude, fazia pequenos shows com o “Trinhandu”. Era chamado “A voz de veludo”. Foi um pioneiro: teve o primeiro violão elétrico da região! Sua mãe, Wilmar, sempre afinada nas últimas do rádio, cantava pela casa enquanto cuidava das três meninas: ela e as irmãs. O instrumento da infância de todas foi o piano, e desde pequena estudaram teoria musical. O avô ( pai de sua mãe) era regente de orquestra, tocava tuba. Ceumar começou a tocar violão aos 16 anos. Queria participar de um festival e precisava de uma música. No violão foi mais fácil compor e acabou ganhando seu primeiro prêmio como melhor intérprete. Daí passou a tocar no colégio, nas festinhas, na praça.

Com 18 anos foi fazer cursinho em Belo Horizonte e entrou na Fundação de Educação Artística, onde a música começou a ter outra dimensão. Lá estudou violão clássico e canto. Chegou a cursar um ano e meio de Design Gráfico mas já cantava na noite, e não deu pra conciliar. Desde então sua profissão é cantar.

Foi fazendo outras coisas paralelas: jingles, backing-vocal para amigos, pequenos shows, eventos, casamentos. Passou um tempo em Itajubá, cidade próxima à Itanhandu. Foi lá o primeiro show que fez ( roteiro, figurino, arranjos…) chamado ” 30 músicas que você não ouve no rádio”. Esteve em Salvador por 8 meses, cantou no carnaval de 94.

Chegou em São Paulo em junho de 1.995. Seu primeiro CD, Dindinha, saiu em 2000, produzido por Zeca Baleiro, que também assinou a canção que deu nome ao disco. No segundo, Sempre Viva (2003), Ceumar estreou como produtora, arranjadora e compositora, ao lado da poeta Alice Ruiz, em “Avesso”, e de Chico César e Tata Fernandes, em “Boca da Noite”. Em 2006 lançou junto com Dante Ozzetti o CD Achou!

A cantora tem se apresentado em turnês e projetos internacionais na Holanda ao lado do pianista jazzista Mike del Ferro. Como compositora, escreveu para a peça teatral do ator Gero Camilo, Canções de Invento. Compôs também para Mônica Salmaso e para os dois álbuns do cantor Rubi.

Leia abaixo a entrevista com a cantora e compositora:

Balangandans: O intérprete de música popular propõe (através de voz, da entoação, do arranjo, etc) uma leitura pessoal para as canções que grava. Não são poucas as canções que, gravadas por grandes intérpretes apresentam uma riqueza às vezes surpreendente até mesmo para o compositor. A gravação de outros intérpretes para suas composições revelaram algo que havia permanecido oculto durante a criação?

Ceumar: O cantor Rubi já gravou 2 músicas minhas e é maravilhoso! Ouvir uma outra levada, um outro arranjo, é muito rico e comprova que a música não é estática, ela é orgânica, viva.

Balangandans: O ano de 2008 marcou os 50 anos da Bossa Nova e os 40 da Tropicália, dois movimentos importantes da música popular e merecidamente relembrados até hoje. Estes movimentos influenciaram de alguma forma seu modo de interpretar e/ou compor canções?

Ceumar: Ouvi mais os Tropicalistas do que os Bossa-novistas. Mas componho sambas e bossas porque gosto do ritmo. Mas a essência do Tropicalismo foi mais marcante para mim, mais abrangente em termos de mensagem poética, comportamental.

Fernanda Serra Azul

Ceumar - foto: Fernanda Serra Azul

 Balangandans: Sabemos que você tem visitado bastante a Europa, em especial a Holanda. Nestas viagens você provavelmente teve contato com as culturas locais. Diga-nos o que você descobriu e que, de algum, enriqueceu sua relação com a música.

Ceumar: Especialmente na Holanda tenho 2 grupos: um com influências afro ( Kokoura) e outro um trio de Jazz ( Mike del Ferro Trio). Com ambos eu descubro novas cores para minha voz, interpretação e vivência musicais. Quero estudar mais violão e percussão, pois o pandeiro sempre me acompanha nestes shows e é uma forma de eu levar o Brasil na “sacola”, mostrar os ritmos.

Balangandans: Já que estamos falando de influência musical, fale-nos um pouco sobre suas raízes. Como foram suas experiências com a canção como ouvinte e, posteriormente, como intérprete? 

Ceumar: Comecei ouvindo rádio em casa com minha mãe e também meu pai ,que é cantor, toca violão, minhas irmãs tocam piano… Mas minha maior influência é a voz da minha mãe cantarolando pela casa, despretenciosamente.

O gosto musical por belas melodias, belas vozes, vem desde este tempo. Dos saraus na casa do meu avô materno, onde se ouvia chorinho, samba-canção, e canções regionais.

Aos 16 anos passei a ouvir os discos da minha irmã Cilene. Ela tinha Joyce, Clube da Esquina, Milton Nasimento, Carpenters, Beto Guedes… Eu comecei a tocar violão na escola e meus amigos me incentivaram a participar do Festival da Canção de Itanhandu – minha cidade. Com 16 eu fui tocar e cantar sozinha, estava nervosa, mas adorei a experiência e nunca mais parei! Eu era muito tímida e um pouco diferente da minha turma… A música me abriu uma porta que me leva por diversos caminhos e é uma aventura!

Balangandans: Para terminar, quem você tem ouvido e que destacaria da nova safra da MBP?

Ceumar: Eu ouço muito os artistas que têm myspace - ferramenta super acessível que os músicos têm nos últimos tempos ( www.myspace.com/ceumar e www.myspace.com/kokoura )

Descubro músicos do mundo todo, estou muito ligada em World Music, Música da África, Música das Américas, reconhecendo aqui e ali as minhas raízes.

Atualmente eu ouço Fabiana Cozza,  Rubi, Suely Mesquita,  Cláudia Dorei… Banda Gigante, Banda Mirim, Luiz Tatit, Ná Ozzetti , Barbatuques. Amo Vitor Ramil, Jorge Drexler, Sharon Jones, Carmen M’Crae, tenho ouvido mais SOUL e black music pois meu namorado adora! meu filho Tiê tocando suas composições em casa têm me inspirado muito!!!

***

Assista a vídeos de apresentações de Ceumar:

 

 

Acesse o myspace da Ceumar: http://www.myspace.com/ceumar

Para mais vídeos acesse: http://www.youtube.com/SerraAzul

 


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