entrevista

Outubro / Novembro: Balangandans entrevista Péricles Cavalcanti.

Péricles Cavalcanti

foto: Fernanda Serra Azul

Péricles Cavalcanti é carioca, filho de mãe baiana e pai pernambucano, foi criado em São Paulo — onde chegou a cursar filosofia — e morou mais tarde em Londres e Paris, na virada da década de 60 para 70. Por essa época começou a desenvolver trabalhos como compositor, tendo tido sua primeira música gravada por Gal Costa em 1973, “Quem Nasceu?”. A partir de então, teve músicas gravadas por Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Cássia Eller, Lulu Santos, Simone, Arrigo Barnabé, Fafá de Belém e outros intérpretes. Depois de trabalhar também com trilhas sonoras para televisão e cinema, somente na década de 90 lançou-se como intérprete, gravando em 1991 o disco “Canções” (Polygram), com o qual viajou pela Alemanha e Canadá. Por esse disco ganhou o prêmio de Melhor Compositor da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 1995 veio o segundo disco, “Sobre as Ondas”, pelo selo Radical Records (EMI), e no ano seguinte lançou “Mil e Uma”, trilha sonora do filme homônimo de Susana Moraes. Em 2000 assinou com a Trama, que lançou “Baião Metafísico”. 2004 foi o ano de lançamento de “Blues 55”, CD em que Péricles reuniu, pela primeira vez na história do disco, pelo menos no Brasil, duas produções diferentes e inéditas. No 55, Péricles tratou, na elaboração de cada faixa, de unificar os processos de gravação, composição, arranjos, execução de instrumentos e canto, tornando-os igualmente potentes na definição da identidade e acabamento de cada faixa, tendo como conseqüência, ainda, a expansão da própria noção do que seja uma faixa de disco (duração, gênero e desenvolvimento) e da idéia do que seja uma canção, prática que Péricles desenvolve desde o seu primeiro disco. Em 2007 Péricles lançou o CD “Péricles, o rei da cultura”.

Leia abaixo a entrevista de Péricles Cavalcanti ao Balangandans:

Balangandans: Você tem composições gravadas por diversos intérpretes desde os anos 70. No entanto, sua estréia em disco (em disco solo) aconteceu recentemente, nos anos 90. Por que esse hiato entre a aparição do compositor e do interprete?

Péricles: “Quando eu comecei a compor tive imediatamente muita recepção. Já em 1973 uma das minhas primeiras canções, se não a primeira que eu fiz, foi gravada pela Gal Costa (“Quem nasceu”, disco Temporada de verão). E logo depois teve outras gravações da própria Gal, da Miúcha, do Caetano… Eu não tinha na cabeça uma coisa tão clara de que eu queria também ser intérprete. Aquilo para mim era uma coisa que eu fazia com facilidade, não tinha nenhum vínculo com profissão.

Tem uma coisa engraçada. O empresário Guilherme Araújo, na época empresário de Gil e de Caetano e que também me conhecia, queria que eu gravasse logo e eu gravei um compacto, um single com duas músicas em 1975.

Mas eu relaxei tanto com aquilo, não trabalhei, não fui que fiz do ponto de vista musical – dei lá pro maestro fazer – não ficou bom, eu não fiquei satisfeito. Enfim, não passou dali e eu também não me incomodei nem um pouquinho de não ter passado dali. Eu também estava vivendo uma mudança muito grande: eu era estudante de filosofia na USP, não nesta época, antes – tinha parado no começo dos anos 70 e passei dois anos entre Londres e Paris. Quando eu voltei ao Brasil comecei a trabalhar. Então foi uma mudança e ao mesmo tempo eu voltei a morar em São Paulo porque eu estava em trânsito, morava no Rio, na Bahia em vários lugares… passei anos assim e voltei a São Paulo que é o lugar onde fui criado. Era um momento de muita estabilidade para mim e eu não tinha com muita clareza o que eu queria profissionalmente.

O que mudou em 1991, quando eu gravei o primeiro disco, foi que uma amiga minha chamada Suzana de Moraes, filha do Vinícius de Moraes, (depois eu acabei fazendo trilha para um filme dela) em 90 disse: “Péricles, você tem muitas músicas”… Ah! Tem uma coisa antes. Nos anos 80 que foi um período ruim do ponto de vista de pessoas gravando minhas músicas, ruim que eu digo que porque tive poucas gravações – o hi-life foi a parceria com o RPM (“Ponto de fuga”) – eu comecei a ter banda, a tocar mais, tocar contrabaixo e a curtir esta coisa de grupo, de arranjar as músicas e tal. Então, quando a Suzana falou “você tem que fazer um disco, eu vou falar na gravadora sobre você que você tem um material ótimo…”.

Aí eu me dei conta do que eu queria fazer. Eu queria além de fazer um disco cantando – que eu não sou cantor nato, gosto de cantar, mas não sou basicamente um cantor, não vem daí a minha coisa – percebi que gostava de fazer tudo: arranjei as músicas todas, toquei, planejei o disco conceitualmente, etc. Como se tivesse achado uma maneira de entrar num momento de maturidade para experimentar isso. E todo mundo que ouviu, a própria gravadora que fez um pouco de favor (o cara conhecia a Suzana e o Caetano também falou que eu devia fazer) quando o disco saiu tomou um susto. Tanto que era pra sair em LP, saiu também em CD que estava começando naquela época. Então a gravadora apostou naquilo, a gravadora Universal, acabou sendo lançado na Europa, no Canadá. Foi um disco com muita repercussão.

Enfim, percebi que gostava mesmo era do lance de fazer tudo. Eu componho hoje, muitas vezes, pensando no meu disco. Já componho pensando em gravar, pensando no arranjo. Assim eu posso me exprimir melhor. Porque eu não sou cantor mas eu sinto que seu fizer tudo – cantar, compor, arranjar, tocar – eu posso fazer uma coisa mais interessante para mim e para os outros.

(*) Agora na internet acontece a venda de faixas. Quer dizer, implodiu a idéia de obra conceitual. O apogeu da obra conceitual, do disco como objeto, é o lp, o vinil. A capa grande, o conjunto da obra, etc. O André Midani, um grande executivo da indústria fonográfica, escreveu uma autobiografia na qual diz que até os 80 se investia no artista, na carreira, no autor. No final dos anos 80, com a entrada do pessoal do business, gente que não era do ramo, pessoal de Wall Street e dos estúdios de cinema que compraram as gravadoras, começou a se investir na faixa. Então a idéia era trabalhar uma faixa, botar dinheiro, pagar jabá, tudo. Ele acha que isso foi a grande mudança, antes mesmo da internet. É uma opinião interessante.

Mas eu ainda gosto de disco. Tanto é que meus discos, mesmo em cd ainda são conceituais. Este último, O rei da cultura, talvez seja um dos discos mais conceituais de minha carreira. Eu gosto de pensar a ordem das faixas, o sentido desta ordem, os títulos das faixas, no que quero dizer com aquilo. Eu penso ainda em termos antiquados… Tem um amigo meu que diz que eu sou “old school”.

E não é a toa que o LP está voltando. O Radiohead vendeu 100 mil lps do In rainbow só nos Estados Unidos. Não é pouco! Quem gosta mesmo do disco, do álbum, coleciona e ouve a obra toda.

Também não se pode desconhecer a rapidez da internet. Qualquer pessoa baixa tudo agora, a vendagem de disco caiu e já não se pode pensar apenas em vendagem de disco para organizar a carreira. O disco é mais para fazer show. Enfim, quem não lidar com isso está fora. Tanto é que as gravadoras todas procuram lidar com esta nova situação. Por isso eu já disponibilizei dois singles: um ano passado para vender no portal UOL e outro este ano gratuito no meu site. Mas eu só quis fazer uma experiência, as duas músicas estarão no meu próximo disco. Porque eu mantenho meu gosto pelo conceito. E os discos que eu mais gosto de ouvir são os que eu sinto que tem uma atitude diante da música, uma reflexão. Acho isso mais estimulante.”

Péricles Cavalcanti

foto: Fernanda Serra Azul

Balangandans: Você sente uma separação muito nítida entre o ato de compor e o ato de interpretar? Tem uma predisposição ou preferência para uma destas coisas? Pergunto isso por que, apesar de ser um compositor bastante gravado por outros artistas, você não grava muitas composições alheios em seus discos (salvo uma outra faixa do Blues*55). Já pensou em gravar canções de outros compositores? Se sim, poderia ar alguns exemplos?

Péricles: “Sim. Primeiro por eu não ser exatamente um cantor… Mas eu já gravei uma música linda dos Paralamas no disco Baião Metafísico, “Caleidoscópio”. Não fiquei satisfeito com minha gravação. Na verdade, este disco é o que eu gosto menos. Falta alguma coisa na parte conceitual… Só tem uma coisa que eu gosto ali: a versão de “Negro amor”, uma canção de Bob Dylan, que eu fiz nos anos 70. Uma versão que muita gente gravou, Gal Costa, Engenheiros do Hawaii, Zé Ramalho. E no meu disco tem uma gravação boa, como tango.

Também tem outro aspecto. Como eu comecei a produzir e lançar pelo meu próprio selo há a questão também das autorizações. Se a música que você quer gravar não é domínio público, mas é de uma gravadora ou de uma editora muito tradicional pede-se um pagamento adiantado. Cheguei a gravar “As rosas eram todas amarelas” do Jorge Ben Jor para o disco Blues*55. Mas o contato com a gravadora foi tão difícil que desisti de colocar a faixa no disco. Percebi que haveria problemas, mas eu cantava em shows. Já cantei Beatles em shows com meu filho Léo. Fiz também uma gravação de “Noite de paz” de Dolores Duran para o site. Gosto muito de cantar coisas antigas, Ary Barroso…

Às vezes eu até penso em gravar uma coisa diferente, de outro autor. Em casa eu só canto música dos outros, na verdade… Não canto as minhas não… Imagina, a coisa mais chata é o sujeito cantar só as próprias músicas. Eu gosto de cantar as minhas músicas mas não vou ficar alimentando isso. O Groucho Marx tem uma frase: “eu nunca entraria num clube que me aceitasse como sócio” (risos).”

Balangandans: Você se remete em diversas canções à tradição do cancioneiro brasileiro – às canções número 2 (ou até mesmo 3), a abertura do primeiro álbum (“Dos prazeres das canções”), na nova “No salto” etc. Qual a sua intenção ao se remeter tão explicitamente à tradição? Existe ainda um projeto de continuidade na linha evolutiva da MPB? Você pode apontar alguns momentos decisivos desta evolução pós-tropicalismo, ou melhor, dos últimos 20 anos?

Péricles: “Não tem um intuito premeditado mas quando aparece eu acho bacana. Quando se  tem uma tradição grande como a brasileira de música, você nunca está isolado. Tem sempre antecessores. A primeira música do um primeiro disco começa dizendo assim: “Eu sou aquele que o tempo não mudou, embora outro, eu sou o mesmo eu sou um mero sucessor. A minha estirpe sempre esteve ao seu dispor.  Me dê ouvidos que eu lhe digo quem eu sou”… Essa música eu tinha feito solta mas quando eu fui fazer o disco eu quis começar com essa, porque eu quis dizer o seguinte: ”Eu tô aqui mas olha a fila aí”… Então, quando tem o caso de surgir o “número 1” ou “número 2”, por exemplo, eu faço questão de colocar o número, de marcar isso, porque eu acho ingenuidade você achar que está ali do nada. Sempre tem uma referência, mesmo que não seja explícita. Porque o rhythm and blues ou o blues está presente em toda a música pop de uma forma ou de outra, na melhor forma possível? Ou o samba ou a coisa da bossa nova, por exemplo? Então, eu gosto de explicitar isso… Quando não é forçado, quando é natural.

Quanto à linha evolutiva, vamos falar do pós-tropicalismo. Eu acho que uma coisa fundamental, eu como já tenho 62 anos, eu acompanhei tudo e acompanhei a bossa nova. A bossa nova é o último grande movimento, todo mundo sabe disso. O tropicalismo foi um passo a diante no sentido de abrir o leque de interesses, porque a bossa nova é basicamente samba. O Tropicalismo trouxe o rock, trouxe a coisa internacional pop, trouxe uma abertura do ponto de vista de repertório, etc. Então vamos examinar o depois, eu diria que de tudo que veio depois, há grandes destaques, por exemplo eu acho que o que você tem de fundamental no final dos anos 60, talvez por causa da bossa nova e do tropicalismo ou paralelamente ao tropicalismo, foi a volta do samba de morro carioca. O Hermínio Bello de Carvalho foi importantíssimo, porque ele fez o Nelson Cavaquinho gravar e gente que nunca tinha gravado cantando, grandes autores dos anos 40 que tinham músicas gravadas por outros. Eram autores que não cantavam naquele tempo, e a volta do samba de morro carioca. Paulinho da Viola, que foi o cara que juntou tudo ali, e depois Beth Carvalho já nos anos 70 que também contribuiu, Clara Nunes… Então, essa volta do samba de morro carioca que aconteceu paralelamente ao tropicalismo foi um grande acontecimento que repercute até hoje. O samba nunca esteve tão forte. Zeca Pagodinho é a grande figura hoje em dia. Tudo sobre o samba passa por Zeca Pagodinho. Eu acho que ele é o maior artista em disco no Brasil nos últimos anos, pelo conjunto da obra, do que ele faz com o samba, de gravar coisas urbanas, coisas rurais, e se a gente pensar que o samba é o nosso blues, é a nossa música principal – eu acho, não é à toa que a bossa nova se voltou para o samba. O João Gilberto já dizia: “Não é bossa nova o que eu faço, é samba.” Então tem essa linha do samba que na linha evolutiva tem um ramo cada vez mais forte e que está culminando agora. Arlindo Cruz, Almir Guineto, toda essa gente que o Zeca trouxe é uma coisa. Outra coisa que podemos comentar, é o rock Brasil nos anos 80, a sofisticação da música pop que já tinha começado com os Mutantes nos anos 60, dentro do Tropicalismo, que o Tropicalismo absorveu aquilo, e o rock deu um nível para a coisa pop, se pensarmos nos Titãs nos Paralamas, é uma coisa maravilhosa… Cazuza, Barão, Lobão, Ultraje, enfim… Nos anos 90 sem dúvida nenhuma Chico Science e Nação Zumbi, o Mangue Beat e especialmente o Chico Science deu não só um tipo de approach internacional diferente – misturou um pouco com hip hop, com rap, um pouco de rock – mas ligou direto no Tropicalismo, de uma forma que o próprio Tropicalismo não tinha conseguido. Foi uma realização de um sonho Tropicalista: tambores com guitarras. Eu diria que hoje em dia, o disco do Marcelo D2, “A procura da Batida Perfeita” também é fundamental, é diferente de tudo. Eu acho que isso foi um upgrade. Ele fez uma mistura de samba com hip hop como nunca se fez. E tem outras coisas maravilhosas, Los Hermanos, Skank, com o Samuel Rosa, tudo isso acontecendo. E tem uma pessoa que tem tudo isso em si desde o começo, Jorge Ben Jor. Ele fez todas as fusões antes – fez samba, depois fez samba rock, samba soul -  ele é meio carro alegórico da coisa brasileira… É um puta autor, original… Mas e acho que essa linhas são as coisas mais bacanas.

Péricles Cavalcanti

foto: Fernanda Serra Azul

Balangandans: E a Vanguarda Paulistana?

Péricles: “Eu acho que Vanguarda é Arrigo Barnabé especialmente. Ah, esqueci disso, fundamental! Arrigo Barnabé sem dúvida nenhuma, e em um certo sentido o Grupo Rumo, que criou aquele jeito coloquial do Luiz Tatit, do estilo do Tatit antigo, da época do Rumo. Mas a principal figura para mim é o Arrigo Barnabé, que fez aquela coisa única de misturar música dodecafônica, música clássica, com música popular, com rock. Ele fez mesmo isso. Ele não estava ali a passeio, ele fez com comprometimento. Adoro o Arrigo Barnabé… Ele é um grande músico, fez uma coisa única que influenciou muita gente. Mas não vamos ser injustos, eu acho que o Walter Franco também nos anos 70 teve um trabalho que não só influenciou o próprio Arrigo, porque era muito experimental como influenciou até Arnaldo Antunes. Eu acho que a coisa do Walter também foi um grão paulista que também pode ser considerado vanguarda porque foi pós-tropicalista… É claro que eu não falei do Tom Zé porque ele está incluído no Tropicalismo. Aliás, é o único que continua tropicalista até hoje. Ele é o grande representante do Tropicalismo até hoje. Foi se renovando, voltou nos anos 90… Ele é a bandeira do movimento.

Balangandans: Você, ao mesmo tempo que está submerso nesta tradição cancionista, também se alimenta de outras tradições (um aspecto já existente nos tropicalistas, mas radicalizado por você) – transforma poemas concretos de Décio, Haroldo e Augusto, assim como as traduções destes de poemas de vanguarda ou do barroco inglês, em canções populares. Não deixa de ser insólito “Nuvoleta”, um trecho de Joyce traduzido por Augusto, virar um samba, com um refrão tão forte, como refrão, redondinho (enquanto o estatuto do objeto talvez pressuposse uma música mais explicitamente de vanguarda…). Comente um pouco este projeto de popularização desta cultura dita erudita.

Péricles: “Você pegou no ponto certo. Muita gente acha que eu sou uma pessoa erudita, que eu gosto de alta cultura, me manda poemas para musicar… Eu gosto mesmo dessas coisas mas o que eu faço, se tem alguma originalidade, é aproximar essas coisas de uma coisa popular fácil. Eu não acho que tudo pode virar música mas quando eu vejo que ali tem alguma coisa a ver com a tradição, eu me interesso. As pessoas se decepcionam um pouco comigo, porque acham que eu sou um puta intelectual. Não é bem assim.

Balangandans: Você também trabalhou com trilha sonora de filme. Como foi essa experiência? Você já tinha as canções ou compôs em decorrência das cenas do filme? Se compôs diretamente para o filme sentiu alguma dificuldade com esta “finalidade prévia”?

Péricles: “Eu fiz a partir do filme. Apenas uma música que já existia eu coloquei no filme, coloquei letra, que é “Mais um Bolero” que a Adriana Calcanhoto acabou gravando. Mas foi a partir do filme que eu fiz o resto da trilha. A Susana Moraes me mandou um VHS do filme, eu assisti e fui criando. Eu gosto desse disco “Mil e Uma”. É um dos melhores discos que eu fiz. É todo minimalista, cheio de coisas eletrônicas, todo diferente dos outros discos.

Balangandans: Aproveitando, comente seu contato e contribuição com o grupo teatral “Asdrubal Trouxe o Trombone”.

Péricles: “Ah, aquilo foi maravilhoso e fundamental. Eu conheci a Regina Casé no Rio de Janeiro, no tempo que eu morava lá, nos anos 70. Quando eles vieram para São Paulo para montar o primeiro musical que eles fariam que era “A Farra da Terra” em 82, eu já morava aqui e a Regina queria alguém para fazer a música. Engraçado que ela não pensou em mim, ela perguntou para o Gil, e ele falou de mim, disse: “Chama o Péricles, que pode ser legal”. Ela me chamou e aí eu li os textos, que ainda nem estavam prontos, e fui fazendo. Tinha coisa que só tinha o título, tipo “Farol da Jamaica”. E foi bacana, porque foi tão bom que virou disco. As pessoas que conhecem gostam muito. Eu ganhei uma grana boa… Foi uma coisa boa para todo mundo. Para mim como compositor, foi um marco, foi uma virada. Foi meu primeiro álbum, só que eu não cantava. Foi meu primeiro conjunto de canções reunidas em um só disco. São canções que eu gosto muito e sempre que canto alguém reconhece, gosta. Foi um trabalho muito legal.

Balangandans: Você tem Myspace e Facebook também – e acaba de lançar uma faixa nova no seu site. Você sente um resultado direto através destas ferramentas de divulgação? Tem ganhado público através destes sites? E, ao contrário, tem conhecido novas bandas e/ou músicos. Quem você poderia indicar?

Péricles: “Tem muita coisa… Myspace já foi mais ágil. Atualmente o myspace é meio pesado demais, um pouco difícil. Mas em vários lugares onde eu vou fazer show, eu encontro gente que entrou no meu myspace. Eu uso até mesmo para mandar material para as pessoas. Você não precisa mandar o disco, você manda o link, que ali já tem uma coletânea. Eu não sou tão conhecido como intérprete, sou mais conhecido como compositor. Mas a internet tem colaborado para as pessoas me conhecerem mais. Eu tenho vendido mais discos em shows. Quanto a conhecer coisas novas… Puxa, tem tanta gente! Atualmente eu não tenho ouvido muito por causa de tempo… Inclusive nesse sentido o Facebook é interessante. Eu não queria muito entrar mas a minha filha insistiu tanto que eu entrei e é legal, porque você posta uma coisa e na hora as pessoas comentam. É imediato. Mas enfim, tem que usar todas as ferramentas, e por exemplo, esse meu single está no meu site e as pessoas podem baixar de graça. Que reflexo isso terá mais futuramente eu não sei dizer, porque também tem muita oferta. A internet é um veículo bom mas tem muita gente oferecendo muita coisa… Como disse Juca Chaves certa vez em uma entrevista, quando perguntaram se ele achava mais difícil fazer sucesso agora do que quando ele começou. Ele respondeu: “Muito mais! Quando eu comecei nos anos 50 tinha pouco artista e poucas rádios. Os artistas levavam o disco para o DJ embaixo do braço, e ele tocava o mesmo disco o ano inteiro”. Então, tem muita coisa surgindo o tempo todo. Mallu Magalhães por exemplo surgiu na internet. As pessoas faziam milhares de dowloads por dia… Independente disso, eu acho que ela tenha talento mesmo, quantas pessoas que estão na internet e não acontece nada… Mas sem dúvida sem isso, você fica por fora e corre o risco de ninguém saber que você existe. Porque loja de disco cada vez tem menos. E depois você não vai numa loja de disco e fica olhando, o vendedor vem mostrar para você… Agora para citar coisas novas que conheci através da internet, o que me ocorreu agora uma é um grupo baiano chamado “Teclas Pretas”, que eu conheci no myspace e achei muito bom. Não é Aché, é música pop estranha. Mas é difícil citar alguma coisa… Todo dia chegam coisas novas. Cantoras então, é uma loucura o que chega de cantora. A maioria é com um bom nível mas tem muita cantora… É demais. Mas é meio imprevisível saber aonde é que vai dar isso. Pode ser que as pessoas enjoem e digam: “Chega! Não quero mais a internet!” (risos).

Assista a um trecho da entrevista em vídeo:

Acesse o site do Péricles e baixe de graça o novo single NO SALTO:

http://www2.uol.com.br/periclescavalcanti/

 

 


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