conexões janeiro: Arrigo Barnabé e Kléber Albuquerque
Na sessão conexões, mensalmente um artista comenta uma obra alheia que tenha influenciado decisivamente em sua produção, explicando seu primeiro contato, as características essenciais e a repercussão alcançada por essa mesma obra.
Esse mês, excepcionalmente o Balangandans traz duas participações no Conexões: Arrigo Barnabé e Kléber Albuquerque. Veja o que eles responderam:
Arrigo Barnabé: “É difícil separar assim alguma coisa, mas eu diria que o mais importante pra mim foi ter estudado as Invenções a Duas Vozes de Bach, quando ainda era adolescente, em Londrina. Aquilo é realmente uma aula de composição.”

foto: Fernanda Serra Azul
Arrigo Barnabé nasceu em Londrina, PR, em 14 de Setembro de 1951. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1971 a 1973) e a Escola de Comunicações e Artes (1974 a 1979), onde fez o curso de composição, no Departamento de Musica. Ainda na década de 1970, participou do Festival Universitário da TV Cultura com a musica Diversões eletrônicas.
Pianista e compositor, Arrigo Barnabé lançou em 1980 o LP, Clara Crocodilo, uma ópera-rock, com estrutura baseada no dodecafonismo (influência que há algum tempo circulava apenas nos limites da música erudita) e letras que parodiavam a linguagem das histórias em quadrinhos. Seu LP seguinte, Tubarões Voadores (1984) recebeu o prêmio de melhor disco do ano pela revista francesa Jazz Hot.
Arrigo foi o porta bandeira da chamada Vanguarda Paulistana, movimento musical que existiu nos anos 80 na capital paulista, do qual faziam parte, entre tantos outros, Itamar Assumpção, os grupos Rumo e Premeditando o Breque, Luis Tatit, Vânia Bastos, Tetê Espínola e Eliete Negreiros. Esse grupo era muito heterogêneo, porém tinham em comum uma linguagem musical baseada numa temática mais urbana, desenraizada, universal e cosmopolita. Os elementos eruditos se mesclavam a um experimentalismo radical, lançados em discos independentes e com forte influencia nos meios universitários.
Com trabalho singular na musica brasileira, Arrigo tem composições de características que vão do dodecafonismo a atonalidade. Seu trabalho é eclético, mesclando a vanguarda da música erudita contemporânea com música pop e rock pesado. Sempre na fronteira entre o erudito contemporâneo e o popular.
Kléber Albuquerque: “Sempre gostei muito de ler. Nesse sentido, a influência não-musical mais forte em meu trabalho veio da poesia, especialmente dessa poesia que a gente descobre no colegial, de Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Bandeira, Drummond etc. Quando descobri que esses caras conseguiam falar de coisas que eu sentia e que, por falta de palavras, nem sabia que sentia, vi logo que era o que eu tb queria fazer. Eu sou um fingidor.”
Kléber Albuquerque é natural de Santo André/SP e lançou seu primeiro cd em 1997, 17.777.700, pela Dabliú Discos, com direção artística de Mário Manga. A faixa “Barriga de Fora” foi a que ganhou maior destaque, ficando entre as vinte mais pedidas do ano pelos ouvintes da extinta Rádio Musical FM.
Seu segundo disco, Para a Inveja dos Tristes, foi lançado em 2000 pela mesma gravadora e contou com a participação especial de Fábio Jr. na faixa “Isopor”. Neste mesmo ano, com “Xi, de Pirituba a Santo André” Kléber foi um dos finalistas do Festival da Música Brasileira promovido pela Rede Globo.
Finalista em muitos outros festivais, em 2001 conquista o primeiro lugar no Festival de Avaré, um dos mais respeitados do país com a música “Logradouro”, parceria com Rafael Altério. No reveillon de 2001 grava, junto com os compositores Élio Camalle, Luiz Gayotto e Madan, o álbum UmdoUmdoUm, o primeiro do milênio.
Kléber inicia 2003 com a temporada do show “Amanhã Vai Virar Hoje”, no Teatro Crowne Plaza, com participação especial de Ceumar, Vanusa, Mirian Maria e Gero Camilo. Neste espetáculo focou o lançamento do cd Faça Virar Música, um trabalho artesanal com capa feita em tecido. No mesmo ano fez a direção musical e compôs a trilha para a peça “Desmontando Uma Alma Boa” da Cia. Teatraria Paraíso e, em parceria com Gustavo Kurlat, para o espetáculo “Crime & Castigo”, da Escola Livre de Teatro.
Em 2004, participou do projeto São Paulo Recebe Maranhão, onde recepcionou o artista maranhense Josías Sobrinho, tendo como mestre de cerimônias Zeca Baleiro, no Sesc Pompéia, e do projeto Novo Canto, com participação da cantora Eliana Printes, no Sesc Copacabana. Juntamente com Tata Fernandes, Rubi, Gero Camilo e Ceumar, criou o grupo Canto de Cozinha, uma performance musical e teatral regada a muita poesia em formato acústico. Com Tata Fernandes estreou no teatro Paiol de Curitiba o show “Parêntesis”, apresentado também na Feira da Música de Fortaleza.
No ano de 2005 ficou em cartaz no Tusp com o show “O Centro Está Em Todas As Partes” com participação de Rubi, Carlos Careqa e Chico Saraiva; e com o show “Parêntesis” ao lado de Tata Fernandes. Ainda lançou o disco O Centro Está Em Todas As Partes com shows nos Sescs Consolação, Vila Mariana e Santo André; e com o grupo Canto de Cozinha fez temporada no Centro Cultural São Paulo e tocou no Mercado Cultural da Bahia.
Pelo selo Sete Sóis, em 2006 lançou o seu quarto cd, Desvio, que traz uma parceria inédita com Zeca Baleiro. Neste ano também gravou participação nos programas “Bem Brasil” e “Sr. Brasil”, da TV Cultura; e no programa “Talentos”, especial da TV Câmara. Com Ceumar, Rubi, Tata Fernandes e Eliana Printes participou do Festival de Inverno de Paranapiacaba. Também foi convidado de Zeca Baleiro em uma das edições do Baile do Baleiro e abriu o show de Rita Lee para 20 mil pessoas em Santo André.
Em 2007 estreou o show “Sambas Trânsgênicos e Canções Di_gesta_s” com a “Mini Orkestra de Polka Punk” no Teatro Municipal de Santo André, passando pelo Sesc Pompéia e pelo Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O show recebeu destaque na Veja São Paulo e no Portal da Veja São Paulo.
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