conexões março/abril: Lúcia Santos

Nesse mês de março quem nos fala um pouco sobre suas influências é a escritora Lúcia Santos.

lucia

foto: Wilson Marques

Lúcia Santos nasceu na cidade de Arari, Maranhão. Aos dez anos mudou-se para São Luís. Publicou três livros de poesia: Quase Azul Quanto Blue (92), Batom Vermelho (97) e Uma Gueixa pra Bashô (06). Participou de algumas coletâneas, como Mulheres Emergentes (BH) e Circuito de Poesia Maranhense. Tem seu nome no Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras, de Nelly Novaes Coelho.

Ao lado de atores, músicos ou poetas, realizou vários recitais performáticos, como: Batom Vermelho, Cordel Technicolor, Eros&Escrachos, Dentro da Palavra, Cochichos de Bruxas, Ménage à Trois e Nu Frontal com Tarja. O trabalho com poesia falada veio após cursar teatro em São Luís, em 1990.

Como letrista, tem parcerias com Zeca Baleiro, Nosly, Dudu Caribé, Rubens Kurin e Cássio Gava, entre outros. Participou de festivais de música em São Luís, Belo Horizonte e São Paulo. Recentemente, teve uma parceria sua com Baleiro – Febre – gravada pela cantora Margareth Menezes.

Morou por dois anos em BH e oito em SP. Atualmente mora em São Luís.

Tem inéditos poemas, crônicas e histórias infantis. Seus versos podem ser vistos no site Overmundo e no blog: http://umagueixaprabasho.blig.ig.com.br/

 

Lúcia Santos: “Desde pequena, fui habituada a ler de tudo: livros, gibis, fotonovelas, almanaques, o que caía na mão. Mas não tinha o costume de ler poesia. Curiosamente, comecei a escrever poemas antes de ler os grandes poetas. Na adolescência, lembro que meu pai tinha uma coleção de Machado de Assis, e eu li quase tudo, embora não tivesse a compreensão necessária naquela época. Li até Crime e Castigo, de Dostoievski, o que mexeu bastante com minha cabeça. Acho que esse livro chacoalhou meus demônios em fase de crescimento.

Depois que comecei a escrever poesia, nos anos oitenta, meu “ídolo” era Paulo Leminski, e eu não estava sozinha. O cara foi cultuado por toda uma geração. Sabia de cor vários poemas seus, me encantava seu poder de síntese, seu jeito irreverente e bem humorado. Gosto disso. Aliás, foi lendo a biografia de Bashô, escrita por Leminski, que me veio o desejo de escrever haicais. Esse livro foi determinante para a elaboração dos meus haicais abrasileirados. Posso dizer que Leminski e Bashô são fortes referências, embora não sejam as únicas.

Outros poetas, como Pessoa, Baudelaire e Quintana, acordaram minha paixão adulta pela poesia, antes vista como uma coisa chata, que a gente era obrigada a decorar do livrinho da escola.

As poetas (ou poetisas?) pra mim são um capítulo à parte. Cecília Meireles, Hilda Hilst, Alice Ruiz, Laura Amélia Damous… A poesia feita por mulheres é diferente da que é feita pelos homens. Não é menor (como querem alguns machistas de plantão), apenas diferente. Não é “coisa de mulherzinha”, é um outro olhar, e ponto.

Assim descobri a elegante simplicidade de Adélia Prado, com sua feminina devoção: “Eu peço a Deus alegria pra beber vinho ou café, eu peço a Deus paciência pra fazer um vestido novo e ficar na porta da livraria oferecendo meu livro de versos, que pra uns é flor de trigo, pra outros nem comida é”.

Um outro livro que me bateu forte foi Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector. Ela é genial, e mesmo escrevendo em prosa, é poesia pura. Cada frase desse livro é um achado, é pra parar e ficar pensando. Ou sentindo.

Aqui estão minhas referências livrescas, mas influências podem vir de todos os cantos: da infância no interior do Nordeste, do rádio ligado, da cultura popular, das viagens, das conversas de rua, do ônibus, da tv, do cinema, da música, e até mesmo de um livro (rs).”


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