conexões maio/junho: Andréa Catropa

 Nesse mês de junho quem nos fala um pouco sobre suas influências é Andréa Catrópa.

anfrea catropa por fernanda serra azul

foto: Fernanda Serra Azul

Andréa Catrópa nasceu em São Paulo – SP, em 1974. Poeta, mestre em Teoria Literária e co-editora de O Casulo, jornal de literatura contemporânea. Integra ainda as antologias 8 Femmes (2007) e Vacamarela (2007). É autora dos poemas do livro Mergulho às avessas (2008) e da plaquete Éden, 13 (2008).

Andréa Catrópa: “Talvez a fascinação de encontrar uma arte industrial – distante da introspecção que ronda papel e caneta trabalhando, cujo caráter de diário está mesmo na narração de uma saga – tenha me tornado reverente. E por volta dos quinze anos, eu, que era o oposto do método, resolvi conhecer a obra de alguns cineastas de forma organizada (com as portas abertas para o acaso, é claro). Comprei um guia de cinema visando o público que queria conhecer a sétima arte a partir dos corredores das locadoras. A mídia, na época, era o vídeo. Por mais que as fitas enrolassem, e por vezes, a imagem parecesse mastigada, era menos irritante do que quando um DVD trava…mas já estou me desviando da trama principal.

Mencionei o acaso, e ele se manifestava todas as vezes que eu encontrava um dos filmes recomendados pelo guia na locadora perto de casa. Talvez pela simples possibilidade de acesso, comecei a me interessar pelo cinema espanhol. Principalmente Saura, Buñuel e Almodóvar. Não sei em que medida o interesse pelo primeiro está contaminado por minhas leituras, no mesmo período, dos poemas da García-Lorca. Mas os dois últimos certamente tiveram um papel, ao lado de Fellini, formador de um conceito vago que tenho de bom cinema. Os filmes ímpares necessitam da existência de filmes convencionais para se estabelecerem como tais, isso é óbvio. São também minoria. E nesse rol, incluo Viridiana, A Bela da Tarde, O Anjo Exterminador, O discreto charme da burguesia, Esse obscuro objeto do desejo, Tristana, Ana e os lobos, Bodas de Sangue, Carmen, Amor bruxo, Mamãe faz cem anos, Salomé, Mulheres à beira de um ataque de nervos, Ata-me!, Carne trêmula, A flor de meu segredo, Tudo sobre minha mãe e Fale com ela. Todos reforçam um paradoxo: se a indústria sustenta o que se passa nas telas, é o trabalho autoral de profissionais diversos (atores, diretores, roteiristas, maquiadores, iluminadores…) que alimenta sua relevância.”


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