Arrigo Barnabé no Sesc Pompéia

Arrigo Barnabé - foto: Fernanda Serra Azul
No último final de semana um dos ícones da vanguarda paulistana (e da música brasileira ) reviu sua obra em show no Sesc Pompéia: Arrigo Barnabé interpretou canções de diversas fases de sua carreira acompanhado pelo músico Paulo Braga .
Dezessete anos depois da primeira apresentação dos músicos em parceria – os dois se reuniram pela primeira vez em 1992 – Arrigo e Braga mostraram que as inovações estéticas que permeiam as canções de Barnabé permanecem pungentes e ainda são passíveis de reinvenção: postura de vanguarda resistente e interessante, se pensarmos que grande parte da MPB contemporânea – pelo menos aquela parte que ouvimos repetidamente nas rádios – elide ou omite as tensões trazidas à tona por importantes movimentos ocorridos na música popular brasileira , como a Tropicália e a própria Vanguarda Paulistana, da qual Arrigo fez parte (vale ressaltar que o primeiro movimento teve alcance popular infinitamente maior que o segundo).
Tensão estética é o que não falta na obra de Arrigo. Pode-se dizer que o público que lá se encontrava a recebeu festivamente e sem o desconforto que uma obra tão ousada deve ter causado no início dos anos oitenta. No entanto, é preciso dizer que o público não era numeroso, ao menos não tanto quanto em shows de artistas de música popular que apostam na redundância formal e no uso arbitrário de procedimentos estilísticos da tradição de nossa música – procedimentos que um dia tentaram dizer algo sobre nosso país, mas que hoje em dia parecem ser elementos inofensivos de canções absolutamente rendidas à indústria cultural.
Lembro-me vagamente de uma entrevista recente de Caetano Veloso à revista Cult, em que dizia acreditar que as inovações estéticas da Tropicália levadas às massas a partir dos grandes meios de comunicação provocariam alguma mudança no modo como tal massa pensaria a arte, e conseqüentemente o próprio país.
Pensando na força formal da obra de Arrigo e em seu pouco alcance ante ao grande público, na redundância estética e temática de grande parte da atual MPB, é importante repensar a aposta tropicalista.
Assista a um trecho do show:
Veja mais em: http://www.youtube.com/balangandans
http://www.youtube.com/SerraAzul
Filed under: balangandans | 1 Comment
Tags: arrigo barnabé, caetano veloso, paulo braga, tropicália, vanguarda paulistana
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Como disse ao Renan no orkut,
ótima pedida o blog, parabéns está muito belo…
bela sacada esse lance dos videozinhos e os links tb.
um viva aos shows nossos, tão brasileiros que merecem ser de todos.
Cultura e arte nas teclas e telas do povo.
sucesso,
paz, saúde.
abraços,