A revista de poesia “Be My Mafia Family!”, cujo nome refere-se ao jogo “Mafia Wars” do Facebook, teve lançamento virtual na última quarta-feira (17).

Em edição única, a revista virtual de poesia reúne 12 poetas e também amigos que decidiram compartilhar seus fracassos em forma de versos. “Esta revista de poesia terá apenas um número. Único e último. Quase uma carta engarrafada em oceanos de luz. “Be My Mafia Family”, contaminações por linguagens estrangeiras e jogos no Facebook, só poetas amigos ou troca de favores, que época terrível vivemos! Editorial? Poemas sobre fracassos acompanhados por notas explicativas. Exatamente uma revista de poesia. Mais ou menos assim. Tudo o que você sempre quis saber” – esclarecem os poetas sobre a revista.

“Be My Mafia Family!”, será distribuída exclusivamente em formato digital, e poderá ser lida por qualquer internauta. É só fazer o download através dos links:

http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.pdf
http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.epub (formato para Sony Reader)
http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.mobi (formato para Kindle)

Os “poetas mafiosos” são: Ana Guadalupe, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Érica Zíngano, Felipe Sentelhas, Lilian Aquino, Maiara Gouveia, Márcio-André, Paulo Ferraz, Rafael Daud, Renan Nuernberger e Ricardo Silveira.

O lançamento oficial da revista será no próximo sábado (20), a partir das 20h, na Choperia Liberdade, onde, segundo os poetas, quem quiser poderá debulhar seus fracassos em voz alta.


Está em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) até dia 04 de abril, a exposição Gordon Matta -Clark: desfazer o espaço. Sob curadoria de Tatiana Cuevas e Gabriela Rangel, a exposição faz uma retrospectiva da obra do artista norte americano, explorando seus vínculos culturais, afetivos e familiares com a América do Sul, sobretudo com o Chile. Matta-Clark produziu performances e intervenções em edifícios em Santiago, Nova York, Paris, Milão, Gênova, Antuérpia, Nova Jersey e Chicago, além de filmes, fotografias, colagens, desenhos e manifestos escritos.     

Matta-Clark é conhecido por ter realizado obras de grande escala, que consistiam em intervenções metafóricas em edifícios condenados à demolição, com o intuito de questionar sua autonomia e a lógica econômica que impulsionou a rápida expansão da arquitetura após os anos de 1.950, à custa de sua função pública. Com isso, o artista indicou o desaparecimento de capítulos não documentados da memória coletiva e, consequentemente, da história e da vida desses lugares.     

A obra de Matta-Clark é uma referência entre as propostas artísticas comprometidas politicamente. A reflexão sobre ela enriquece o debate sobre problemas como ganância do mercado imobiliário, a mercantilização da moradia, o uso indiscriminado dos recursos, as dinfunções sociais, e a cegueira das atitudes individualistas.     

Desde seu primeiro trabalho, uma ponte de cordas suspensa sobre um desfiladeiro em Ithaca (N.Y.) até as últimas obras inacabadas, Gordon esteve preocupado em conceber novos tipos de espaços habitáveis que estimulassem a vida comunitária.     

Nacido em Nova York (1.945), Gordon Matta-Clark estudou literatura francesa na Sorbonne (1.963-4) e depois se graduou em Arquitetura e Urbanismo na Cornell University (1.964-8).     

O MAM fica no Parque do Ibirapuera e as entradas para a exposição custam de R$2,50 a R$5,00.     

fonte: MODERNO mam extra   

Conical Intersect (Paris - 1.975)

Ambicioso corte que permitiu ao artista intervir no entorno do do Centre d’Art Beaubourg (atual Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou.   

Tree Dance (1.971)

Obra realizada para  a exposição Twenty-Six by Twenty-Six na Vassar College Art Gallery. 


foto: Fernanda Serra Azul

Maurício Pereira - foto: Fernanda Serra Azul

  

É em ritmo de carnaval que Maurício Pereira lança neste mês de fevereiro seu novo trabalho, o CD Carnaval Turbilhão: as marchinhas mais sensacionais do mundo, pela Lua Music. Ao lado da banda Turbilhão de Ritmos, seus companheiros desde o programa Fanzine que foi ao ar na TV Cultura nos anos 90, Maurício Pereira (ex-Os mulheres Negras) traz de volta neste CD as marchinhas mais clássicas e saborosas do carnaval brasileiro, como Saca Rolha (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado), Ala-la-ô (Haroldo Lobo e Nássara), Chiquita Bacana (João de Barro e Alberto Ribeiro), A.E.I.O.U (Noel Rosa e Lamartine Babo), Aurora (Mário Lago e Roberto Roberti), entre outras.          

Nos shows de Carnaval Turbilhão, Maurício Pereira e o Turbilhão de Ritmos recriam os baile de salão em clima bem humorado e descontraído.          

Assista abaixo a um trecho do show         

         

Ouça o Cd:         

http://www.radio.uol.com.br/#/album/mauricio-pereira-e-turbilhao-de-ritmos/carnaval-turbilhao/19429         


O mês de outubro foi um mês muito especial para o Balangandans. Afinal, nele se completou um ano de atividade do blog! Tem sido ótimo entrevistar grandes artistas, comentar shows, eventos, livros, informar sobre lançamentos e espetáculos e, principalmente, receber as mensagens de leitores. E nosso presente neste primeiro aniversário foi dado pelos acessos: ultrapassamos os 10.000! Um número que nenhum de nós imaginamos alcançar tão rapidamente. Obrigado, mesmo, pelas dez mil visitas.

Este mês a entrevista é com o cantor e compositor Péricles Cavalcanti e o conexões é com o guitarrista Tuco Marcondes.

Novamente, obrigado pelo interesse no Balangandans. O sentido do blog é este mesmo, informação e contato com pessoas interessadas em eventos e objetos culturais. Que mais e mais outubros venham com milongas, mumunhas e balangandans!

Péricles Cavalcanti canta “Mae West (Levadas da Breca)”

 


O que têm em comum os garotos de Liverpool e o rei da jovem guarda brasileira? O que pode acontecer quando se juntam no mesmo palco Mario Manga, Swami Jr e Tuco Marcondes?

Mario Manga, do Premê e Música Ligeira, é um estudioso e admirador dos Beatles de longa data. Swami Jr, conhecido violonista e arranjador brasileiro, é também produtor da cantora cubana Omara Portuondo. O multiinstrumentista Tuco Marcondes já tocou com grandes nomes da nossa música e toca atualmente com Zeca Baleiro. Essa trinca resolveu, então, juntar seus talentos e deleitar o público com um show em que homenageiam o quarteto fantástico e sua majestade Roberto Carlos.

Será que dá certo?

Para saber das respostas a tantas perguntas só mesmo assistindo ao show do trio Mario Marcondes Jr e quem sabe cantarolar com eles os sucessos inesquecíveis dos Beatles e Roberto Carlos no palco do Toca Brasil, no Itaú Cultural.

Toca Brasil – Mario Marcondes Jr 
domingo 27 de setembro 20h

entrada franca – ingresso distribuído com meia hora de antecedência

Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural [247 lugares] | Avenida Paulista 149 − Paraíso − São Paulo SP [próximo a estação Brigadeiro do metrô]
informações  11 2168 1777  | atendimento@itaucultural.org.br

Confira um trecho do show realizado em fevereiro deste ano no Sesc Ipiranga:

 

 


Mais um poema sob foto do projeto “Nossas Conexões”. Para quem ainda não conhece o projeto, ler post do dia 08/out/2008:

http://balangandans.wordpress.com/2008/10/08/nossas-conexoes/

mar

foto: Fernanda Serra Azul – Recreio dos Bandeirantes – R.J.

Mar

     o mar, metonímia

do amor,

não beira minha sacada.

 

ao contrário: eu

lhe beiro,

o mar, e meus pés

 

ligeiramente úmidos esquecem-se

na brisa do mormaço.

 

o amor, como largo

          azul profundo,

sem raias nem ladrilhos.

 

ao contrário: eu

mergulho íngreme,

entre ouriços, e meus pés

 

perigosamente livres perdem-se

na maré do momento.

 

Renan Nuernberger


Fotografia de Henri Cartier-Bresson

Fotografia de Henri Cartier-Bresson

No mês de setembro a fotografia é foco de discussões em São Paulo. Essa semana, de 09 a 13 de setembro, acontecerá a primeira edição do SP Photo Fest, evento realizado pelo Museu da Imagem e do Som, onde profissionais reúnem-se para palestras gratuitas, workshops, debates e leituras de portfólios. O fotógrafo Cristiano Mascaro será o homenageado e participará de palestras. Eustáquio Neves e Fabiana Figueiredo também são convidados.

No dia 10, tem início a SP Arte/Foto, no espaço Iguatemi. A SP Arte/Foto é uma feira de fotografia que reúne o acervo de dezesseis galerias e promove mesas redondas que terão participação do diretor-executivo da agência Magnum, Mark Lubell, do diretor da Maison Européenne de Photographie, Jean-Luc Monterosso, e do fotógrafo francês Elliott Erwitt.

Por fim, no dia 17, estréia no Sesc Pinheiros a exposição Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo. Sob a curadoria de Eder Chiodetto, a exposição reúne 133 imagens com o melhor resumo da trajetória do fotógrafo francês escolhidas por ele mesmo e pertencentes ao acervo da Agência Magnum, fundada por Cartier-Bresson em 1947 . Juntamente com a exposição, será lançado o livro homônimo. Na publicação estão 155 imagens feitas entre 1929 e 1978 — destas, 133 compõem a mostra — escolhidas a dedo por Cartier-Bresson como o extrato de sua trajetória. Paralelamente à exposição do fotógrafo, acontece a Bressonianas, mostra composta pela seleção de 42 imagens de sete fotógrafos brasileiros que tem em suas obras a influência de Bresson, entre eles: Cristiano Mascaro, Flavio Damm, Carlos Moreira, Orlando Azevedo, Juan Esteves, Marcelo Buainain e Tuca Vieira. A exposição fica em cartaz no Sesc Pinheiros até o dia 20 de dezembro.


Após um longo tempo sem atualização – depois de dois shows muito bons (Caetano e Tom Zé) é difícil manter o fôlego! – temos o prazer de apresentar novidades no Balangandans. Em Conexões, o arquiteto e músico Dante Ozzetti fala como a arquitetura influencia sua música (e vice-versa). Na seção Entrevista, a escritora Ana Rüsche fala sobre as possibilidades da poesia na internet e sobre seus contatos com a latino-américa.

Em breve novos posts sobre shows, peças, debates, lançamentos, etc… Até mais!


Zii e Zie

13jun09

foto: Fernanda Serra Azul

Quando as cortinas do Credicard Hall se abriram ontem (12 de junho de 2009) por volta das 22 horas, lá estava Caetano Veloso acompanhado da bandaCê (Pedro Sá na guitarra, Ricardo Dias Gomes no baixo e Marcelo Callado na bateria) para a apresentação do show Zii e Zie em São Paulo. Nenhuma canção seria mais adequada para esta abertura do que “A voz do morto”: os transambas dos dois mais recentes cds parecem a consolidação de um desejo já em germe naquele single dos anos 60. “Eu sou terrível/ Eu sou o samba”, cantou Caetano já de início e esta dupla filiação (se é que estes dois termos não são mais próximos do que se imagina – penso em Augusto de Campos comentando o canto cool de Roberto Carlos, apreendido em João Gilberto) permaneceu ecoando até o fim do show.
Me parece, portanto, muito apropriado que o encerramento do espetáculo tenha sido “Força estranha”, canção que Caetano fez para o rei Roberto: início e fim focados na voz, no poder da voz, no poder de representação do canto popular no Brasil. “Eu canto com o mundo que roda mesmo do lado de fora” e “Por isso é que eu canto, não posso parar” se aproximam e complementam, verdadeiras profissões-de-fé que entendem e saúdam a importância do cantor popular. Um céu amplo que vai de Paulinho da Viola (citado na primeira canção) até Roberto Carlos (subtendido na última) e que tem como ponte, entre tantas possíveis, a voz única de Gal Costa, homenageada no meio do show com “Aquele Frevo Axé”.
Espécie de intervalo da performance mais corporal, “Aquele Frevo Axé” foi uma das poucas canções que Caetano tocou desacompanhado da bandaCê, apenas com seu violão num banquinho. Entre o início e o fim, o meio – a voz: “Será que canta calada aquele frevo axé”? E a voz de Caetano não decepciona em momento algum: cristalina, sem vibratos despropositados, segura de si, mudando de tons, indo alto e longe. Nem mesmo nas canções em que Caetano encenava coreografias com passos agitados e pulos sua voz saía tremida. A segurança da garganta, ao contrário, parecia incidir sobre os gestos meticulosos que ele encenava no palco (destaque, principalmente, para “Eu sou neguinha?” a mais interessante das encenações corporais).
Os olhares e meio-sorrisos durante os solos da bandaCê emulavam poses roqueiras com o violão na mão (lembro da contra capa do cd, os transrocks). Não à toa, o show remeteu tantas vezes à virada dos anos 60 para o 70, já na primeira canção, em “Maria Bethânia” (outra grande voz), em “Irene” e em “Objeto não-identificado”: ali, entre Araci de Almeida e os Mutantes, no bojo da tradição e, ao mesmo tempo, no âmago da juventude, firmava-se algo semelhante ao que existe (hoje mais claramente próximo), entre Guinga e Pedro Sá. Lição.
Aliás, a versão de “Água”, música de Kassin, foi realmente deslumbrante. Caetano fez questão de reproduzir um canto entoado muito próximo da fala, que escapava das frases musicais para aumentar o efeito cênico da voz e ressaltar as qualidades melódicas da composição (ah! porque eu não paro de pensar em Luiz Tatit!).
O cenário simples (uma grande asa-delta que ficava atrás da bateria) ganhava maiores dimensões com os efeitos de luzes e as imagens do telão que acompanhavam as canções quase como vídeo-clipes. As luzes fortes em “Odeio” davam ainda mais fôlego a emulação roqueira, depois da promessa de um “iê-iê-iê romântico” na canção anterior. Outro ponto forte dos efeitos de luzes aconteceu quando Caetano cantou “Volver”, tema do filme de Almodóvar, quase na penumbra que, em certos momentos, iluminava-se com cores fortes.
Quando as cortinas do Credicard Hall se fecharam ontem por volta da meia-noite, lá estava o público (ala jovem, principalmente, que perdeu o protocolo das cadeiras marcadas) em frente ao palco depois de cantar junto e tocar na mão de seu ídolo. O show foi rápido mas, para os fãs, inesquecível. É bom ver Caetano Veloso tão de perto, vê-lo cantando perfeitamente bem, vê-lo compondo novas canções, vê-lo se aproximar dos jovens, vê-lo. Sem medo de parecer piegas, muita gente pensou: o mundo não é chato.

P.S.: A sobreposição das vozes de Marcelo, Ricardo e Caetano no final de “Irene” ficou perfeita!

Assista abaixo a trechos do show:

Veja fotos em:

http://www.flickr.com/photos/balangandans

http://www.flickr.com/serrazul


O Balangandans de junho já está no ar! Nesse mês trazemos uma entrevista muito interessante com o músico, compositor e cantor Marcelo Jeneci, falando sobre sua carreira solo e seus planos futuros. O conexões, por sua vez, traz a poeta Andréa Catrópa nos contando sobre as influências do cinema na sua produção.

Boa leitura!


Um dos melhores acontecimentos da Virada Cultural 2009, ocorrida em São Paulo no fim de semana passado (02 e 03 de maio), foi o ciclo de shows do Teatro Municipal. Diversos artistas e bandas (como Arrigo Barnabé, Egberto Gismonti, Chico César, Violeta de Outono, Arthur Maia, Fafá de Belém, Francis Hime e Beto Guedes) tocaram para um público aproximado de 1300 pessoas seus respectivos discos de estréia. Ter a oportunidade de ouvir um álbum como Clara Crocodilo (lançado em 1981) com uma formação muito próxima da Banda Sabor de Veneno de trinta anos atrás, em um palco com acústica propícia para este tipo de espetáculo é inesquecível. O timbre da guitarra fica mais nítido, as quebras da bateria mais evidentes e as cantoras (Vânia Bastos e Suzana Salles, a saber)… bem, as cantoras continuam ótimas como já eram na gravação – com a vantagem dos jogos cênicos, por exemplo, quando Vânia veste uma manta de luto para cantar “Infortúnio”.

imagem1

Mas dentro os espetáculos que pudemos assistir (a estrutura rotativa do Teatro, impedia que a mesma pessoa assistisse dois shows seguidos), sem dúvida, o mais importante foi o de Tom Zé que reinventou seu primeiro disco, Grande Liquidação (1968). Mais importante, não devido a qualidade (altíssima em todos os casos) mas justamente pela reinvenção: performático, Tom Zé encenou uma peça tropicalista feita, entretanto, para os parâmetros deste início de século, do Brasil Pré-sal, do elogio da mistura fina no âmbito cultural (vide o programa Estúdio Coca-Cola), da manutenção de muitos ranços expostos e/ou sublimados pela Tropicália.

(Detalhe: antes do espetáculo o público passou maus bocados pois as 1300 pessoas acima referidas concentraram-se no hall de entrada do Teatro e não tardou para que o empurra-empurra perto das portas e a correria nas escadarias em busca dos melhores lugares tomasse conta do espírito de todos – o que, de um modo bastante canhestro, participou a seu modo da enecenação tropicalista).

Tom Zé entrou com uma máscara “de bandido” (como ele mesmo disse) e cantou “Profissão de Ladrão” com um acompanhamento de percussão regular, emulando um cantor de rap (inserindo, inclusive, algumas atualizações na letra). Depois, acompanhado da atual banda (Jarbas Mariz, Daniel Maia, Cristina Carneiro, Lauro Léllis e Luanda), continuou o show com a máscara o que, mais ou menos na terceira canção, irritou uma mulher sentada na primeira fileira. De repente, ela começou a gritar em frente ao palco e Tom Zé foi abraçá-la (parece que ela queria que ele tirasse a máscara – como grande parte do público que gritava este pedido de tempos em tempos). Vendo que seu pedido não seria atendido, a fã passou a xingar seu ídolo, e, fazendo gestos obcenos, saiu enfurecida do Teatro. Durante os gritos da platéia em polvorosa a banda entoou os primeiros acordes de “São São Paulo” e Tom Zé cedeu o microfone, por alguns instantes, a estes gritos públicos.

Logo depois prometeu um “arranjo poesia concreta” para um clássico do disco, “Namorinho de portão”. Completamente desconstruída, a nova versão pareceu não agradar a maioria do público que, diante de todos os acontecimentos anteriores, esboçou uma reação de insatisfação. Tom Zé aproveitou-se deste mal-estar e brincou com a imagem do artista. Sentou-se na platéia e pediu que a banda tocasse. “Eu se fosse vocês teria gostado. Será que a música está ruim por causa da minha cara de bandido? Então tá. Vou tirar a cara de bandido e tocar de novo para ver se fica melhor”. Foi só o cantor retirar a máscara que o público ficou extasiado e, com seu pedido atendido, ouviu de bom grado a nova versão da canção.

A performance não acabou aí. Cantando a canção “Sabor de Burrice”, Tom Zé proferiu um discurso disparatado, cheio de lugares-comuns (a “burrice dos políticos”) e contradições internas: Tom Zé zombava do “peso” do Teatro Municipal cujo palco foi pisado por homens como Castro Alves, Rui Barbosa, “a puta que pariu” e era ovacionado pelo público. No entanto, na frase seguinte, louvava a tradição do mesmo Teatro e… era igualmente ovacionado! E tudo isso ao som do refrão: “veja que beleza… a burrice está na mesa”.

E teve mais. No meio do show, a banda começou a errar sistematicamente os novos arranjos e as novas letras. Tom Zé, então, parava a canção no meio e emulava um ensaio ao vivo: abria uma pasta preta, testava a base de violão, depois pedia para Luanda cantar a capela, testava sua própria inserção no conjunto para, enfim, retomar a canção de onde havia interrompido.

O artista a todo momento mencionava “uma nova canção” que seria cantada no final do espetáculo, ensinando o refrão para o público: “medo – BRA; medo – SIL; medo – FU; medo ZIL; ah – ah- que te pariu”. Antes de cantá-la, porém, começou um longo processo – que irritou parte do público (sendo que alguns já estavam irritados pelo “ensaio aberto” que ocorrera anteriormente) – de auto-propaganda. Contou uma longa história (cheia de digressões sobre os mais variados assuntos), mostrou e explicou os mais recentes discos, cantou “O filho do pato” (gravada em 2008 no Estudando a Bossa) e “Jingle do disco” (de The Hips of Tradition, 1992), quebrando o protocolo do espetáculo (reapresentar o primeiro disco).

Enfim, a nova canção seria cantada. Os acordes inicias: “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso? Só a introdução pois estávamos diante da boa e velha “Parque industrial” (“Made in Brazil”) com uma letra nova. Letra nova? Um homenagem intitulada “Tropicália jacta est” (latinismo que não deixa de remeter-se ao “panis et circenses” do disco coletivo de 1968). Tom Zé explicou a nova letra, as referências a Torquato Neto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, a si mesmo, aos Novos Baianos, etc; explicou a importância e a pretensão do movimento tropicalista para sagrá-lo com uma dança eufórica (não imaginei que Tom Zé, com sua idade, pudesse pular tanto!).

Outras pérolas foram dadas (aos poucos) durante o show: a foto que Tom Zé tirou dos fotógrafos; a alfinetada na imprensa (“Eu era jornalista mas como não deu certo me tornei músico. Normalmente é o contrário…”), o bis da canção “Made in Brazil” com a letra antiga, a encenação final de “viva São Paulo” aos moldes da homenagem-jocosa da canção vencedora do Festival Internacional da Canção em 1968. O cerne, no entanto, está aqui: um espetáculo que não se restringiu a exposição neutra  de uma dezena de canções bem-feitas, mas que se permitiu a encenação, comentando criticamente nosso tempo, a situação do artista, da canção popular, a relação deste com o público, com a imprensa, com os órgãos oficiais, enfim. Mas qual foi o grande trunfo do show? Bem, foi provar que a Tropicália está dada… portanto (isto Tom Zé demonstrou criticamente no palco) “é somente requentar e usar”.


Depois de uma longa quaresma entre carnaval e páscoa o Balangandans traz conteúdo novo em suas páginas. Neste mês, a entrevista foi com o cantor, compositor, ator e produtor Carlos Careqa, que acaba de lançar seu sexto disco Tudo o que respira quer comer, comemorando de seus 25 anos de carreira. Careqa aproveitou a data festiva e respondeu sobre seus outros trabalhos – como os ótimos Pelo público (2006) e À espera de Tom (2008) –, suas participações no cinema e na TV, as relações entre mercado fonográfico e qualidade/iventividade estética, etc.

Já o conexões viajou para um bom porto, São Luís (MA) atrás da poeta Lúcia Santos que escreveu um pouco sobre os poemas que lhe tocaram na juventude, fazendo-a sentir as texturas e as possibilidades criativas das palavras.

Agora que 2009 começou mesmo, esperamos pegar no tranco e reiniciar o ciclo de entrevistas/conexões mensais. Torçam por nós!


A rica literatura espanhola não recebe toda atenção que merece no Brasil. Quando se trata das outras literaturas da Espanha a coisa fica ainda mais complicada: não bastasse a falta de familiaridade com a língua, há ainda diferenças na tradição artística, no uso particular das tópicas e na visão de mundo que podem causar estranhamento. Visando a aproximação do público com cada uma destas culturas, a tradução de poemas galegos, catalães, bascos e castelhanos — trabalho hercúleo de Fábio Aristimunho Vargas — precisa ser louvada. Cada uma das antologias parte das origens das respectivas literaturas e percorre seus principais poetas até Guerra Civil Espanhola, encerrada exatamente há 70 anos atrás, em 1º de abril 1939.

O lançamento dos quatro livros ocorrerá esta sexta-feira, dia 03 de abril às 19h na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Paralelamente ao lançamento haverá um debate e um recital quinquelíngue de poesia. O debate abordará o tema “O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão Estebe Ormazabal, professor de língua basca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanhol em Roraima; Paulo Ferraz, poeta e editor, e Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha.

No recital quinquelíngue, escritores convidados farão leituras de poemas em galego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entre outros escritores, Alfredo Fressia, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Dirceu Villa e Ruy Proença. Ao final, serão apresentados vídeos com canções e baladas antigas.

convite-poesias-de-espanha


Caminhando para a segunda década do século XXI ainda não pudemos — ou, melhor, não podemos — compreender profundamente o que foram estes anos 00: desdobramentos do fim da guerra fria, terrorismo, afirmação do neo-liberalismo desdita pela própria postura protecionista dos países mais ricos, crescimento no número de fiéis de algumas religiões, eleição de um operário no Brasil, eleição de um negro nos EUA, anti-imigração na União Européia, crise financeira, assentamento de algumas posturas intelectuais, políticas e/ou estéticas com certo ar de cinismo e/ ou dessistência. Enfim, um momento complexo que precisará ser revisto por estudiosos de muitas áreas para receber melhores avaliações.

Quanto a poesia desta mesma década, 00, as incógnitas são também, como era de se esperar, muitas. As discussões são infindáveis, envolvendo críticos literários, grupos de poetas que se opõem, apropriação do cânone ou revitalização de um “anti-cânone”, experiências e pretensões diversas, legitimidade dos blogs, procura do leitor não-especialista… Obviamente, estas questões não serão respondidas tão cedo — como se, com a virada da década, fosse tudo renovado — mas, enquanto isso, os poetas no Brasil continuam, cada qual a seu modo, organizando textualmente aquilo que acreditam ser o — ou um — caminho para as resoluções estéticas de nosso tempo — e com um pouquinho de sorte, quem sabe, as resoluções, sendo pretensiosas, se encaminhem para outras instâncias? Por hora, fica a antologia Traçados diversos que será lançada amanhã, quinta-feira, dia 19 de março, às 19h na biblioteca Alceu Amoroso Lima. A antologia prima pela diversidade — tal como o nome afirma —, que não se confunde com ecletismo acrítico, e publica poetas como Fabrício Corsaletti, Antonio Cicero, Fernando Paixão, Donizete Galvão, Annita Costa Malufe, Heitor Ferraz Mello, Ruy Proença, Fábio Weintraub, Ricardo Aleixo, Arnaldo Antunes, Chacal, Bruna Beber e Fabiano Calixto. Propostas bastante diferentes entre si mas que merecem ser registradas — desde um velho-de-guerra como Chacal até a mais jovem dentre todos, Bruna Beber, o que se encontra é uma ótima poesia que prova, enfim, o fôlego da produção brasileira, apesar — ou talvez por causa — de seus percalços e desfalques.

O evento de lançamento será apresentado pelo professor Ivan Marques e contará com a leitura de alguns poemas feita pelos próprios autores.

Traçados diversos


Querô

foto: divulgação

Entre prédios abandonados e avenidas largas que misturam os ares belle époque do passado cafeeiro com a imundice presente que todos fingem não existir, o teatro Galpão do Folias – R. Ana Cintra, 213, cruzamento da Av. São João – encena a atualíssima peça de Plínio Marcos, Querô – Uma Reportagem Maldita, que, a seu próprio modo, comenta o ambiente que circunda o teatro.

“Minhas peças são atuais porque o país não evoluiu”, citação de Plínio Marcos inscrita no folder da peça. Esta montagem, feita em homenagem aos dez anos de falecimento do dramaturgo, arriscou algumas alterações na estrutura da obra – como as inversões cronológicas, a reiteração da cena principal, a atualização de alguns aspectos e a rotatividade do elenco – para, deste modo, dar maior fôlego ao debate que pretende suscitar. “O teatro só faz sentido quando é uma tribuna onde se pode discutir até as últimas conseqüências os problemas dos homens”, explica o manifesto dos atores no mesmo folder.

Para o Folias, a peça Querô torna-se uma primeira tentativa de sair de um impasse – o esgotamento das formas de representação até então realizadas pelo grupo que, por sua própria postura, explica-se “pelo esgotamento de formas institucionais de organização social contemporâneas sejam elas políticas, econômicas, governamentais ou não, religiosas, midiáticas, familiares, representacionais, etc”.

Uma tentativa de enfretamento dos impasses – em um momento de falsa harmonia, principalmente na arte – cai muito bem. A peça não visa a conciliação de contradições mas, pelo contrário, a inflação destas. As cenas falsamente edificantes incomodam o espectador em sua cadeira que, se realmente envolvido com a encenação, depois caminha pensativo pela R. Ana Cintra, entre prédios abandonados e largas avenidas.

Mais informações: www.galpaodofolias.com.br


Mais um poema sob foto do projeto “Nossas Conexões”. Para quem ainda não conhece o projeto, ler post do dia 08/out/2008: http://balangandans.wordpress.com/2008/10/08/nossas-conexoes/

 foto: Fernanda Serra Azul – Pq. do Ibirapuera – S.P.

um feixe de sol

contínuo

(seixos, pedras, plantas)

e embora haja caminhos

trilhados para

civilizados

passeios

ainda recreamos

in natura

 

os olhos câmera

escura,

vislumbram o céu azul

e a relva verde (e, claro,

o caminho trilhado)

 

mas tudo fixa-se, ainda

que inconscientemente,

no outro lado, nas janelas,

no concreto, edifício

armado

que relembra o

espaço natureza a sua

frente como jardim,

versailles,

           espalhafato.

Renan Nuernberger


O show-homenagem “Carmens Miranda e o Bando de Loucos”, evento promovido pelo SESC Pompéia no sábado passado (dia 28 de fevereiro) foi merecidamente um sucesso de público. As cantoras do Terno de Damas, idealizadoras do projeto, reinterpretaram canções gravadas pela pequena notável em novos e, muitas vezes inusitados, arranjos. Os músicos instrumentistas, apesar da excelente qualidade, cederam espaço para voz – nada mais natural, em se tratando de uma homenagem a Carmen, uma das cantoras que moldou a dicção da música popular brasileira como a prosódia levemente sensual ou a ênfase em certas sílabas/notas capazes de criar duplos sentidos. As três cantoras contaram ainda com a participação de peso de Mário Manga, Maurício Pereira e Carlos Careqa. Os três cantores convidados relatavam sua experiência enquanto ouvintes de Carmen Miranda e sua posição diante do fenômeno e/ou símbolo que a cantora representou no Brasil e no exterior.

O segundo item, obviamente, gerou polêmica que, pelo ambiente próprio de “show” – diferentemente de um “debate” – não foi desenvolvido. Maurício P., por exemplo, apontou o caráter comercial da artista e, mais além, das próprias composições que ela cantava – clássicos de Ary Barroso, Dorival Caymmi entre outros. Careqa, por sua vez, fez enormes digressões – bastante engraçadas, mas não por isso desinteressantes ou vazias – que ilustravam algumas opiniões correntes sobre a cantora e, como não poderia deixar de ser, da relação – que dita nestes termos torna-se ingênua – entre música comercial vs. música de qualidade.

Destaque para as versões de Fon-Fon que recebeu um toque blueseiro na interpretação de Maurício, de Mamãe eu quero que Manga arranjou em levada jazzística e para a canção final Ta-hi, cantada por todos, quando Careqa convidou alguns expectadores a dançar no palco. Shows como este, de ótima qualidade musical e com pessoas interessantes que não se furtam em tomar posição diante do que se fez e do que se faz em sua área, valem realmente a pena!

Assista a um trecho do show:

Para ver fotos acesse: http://www.flickr.com/photos/serrazul

 


É carnaval

22fev09

Dizem por aí que no Brasil as coisas só engatam depois do Carnaval. Pois o Balangandans aqui está para infringir a máxima popular, embora quase tenha feito jus a ela: ainda é Carnaval, mas cá estamos atualizando nossas já tradicionais (?) sessões Conexões e Entrevista do mês.

Desta vez, o Conexões traz o músico Marcelo Jeneci, que já integrou a banda de Chico César e de Arnaldo Antunes, e atualmente está trabalhando na carreira solo, cujo cd deve ser lançado em breve! Ele falou ao Balangandans sobre sua relação com o cinema de Walter Salles.

E temos como entrevistada do mês a cantora e compositora Ceumar, abordando muita música popular contemporânea e revisitando alguns pontos do seu passado ligados com sua carreira.

De resto, desejamos que todos estejam aproveitando os dias de folia, e, se conseguirem se recuperar, que confiram o conteúdo atualizado desse blog na quarta-feira de cinzas…


Durante os últimos dias muito se falou sobre a pequena notável, Carmen Miranda. As comemorações de seu centenário reafirmam a permanência de sua figura no imaginário popular que, para o bem ou para o mal, tomou-a como representação profunda do Brasil. Embora nascida portuguesa, Carmen moldou com trejeitos, balangandans, malícia e outras cositas muitos símbolos nacionais reconhecidos mundialmente.

Sua ascensão em Hollywood, cantando sambas e marchinhas de compositores que se tornariam clássicos (Assis Valente, Lamartine Babo, Ary Barroso, Dorival Caymmi), é uma metonímia da relação cultural entre o Terceiro e o Primeiro Mundo: vendida como “macumba pra turista”, pelo exotismo e pela extravagância, mal se percebeu (lá fora) o tamanho do estardalhaço que aquilo continha em germe. Mais que passatempo na matinê de domingo, a alegria (“a prova dos nove”) de Carmen, seu modo de estar-em-cena, seus arranjos com frutas na cabeça, suas cores e ombros a mostra, legitimavam a música popular brasileira, sua originalidade, sua força expressiva e, principalmente, sua relação intrínseca com o corpóreo e o imediato (para quem compõe, para quem canta, para quem ouve).

Não à toa, os tropicalistas a elegeram como musa inspiradora: as tintas fortes com que pintava a “brasilidade” não borravam, antes destacavam todos os pontos (nossos orgulhos e nossas vergonhas) desta sensibilidade ainda hoje em evidente formação (apesar dos escorregões e desvios de rota). “Disseram que voltei americanizada” quando, de fato, com a carreira internacional Carmen foi mais brasileira do que nunca…

Em homenagem a nossa primeira grande estrela o Sesc Pompéia realizará, no dia 28 de fevereiro o show “Carmen Miranda e o Bando de Loucos” com a participação de Carlos Careqa, Mário Manga, Maurício Pereira e o grupo vocal Terno de Damas.

Mais informações no site do Sesc: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=145922


Fernanda Serra Azul

Arrigo Barnabé - foto: Fernanda Serra Azul

No último final  de semana um dos ícones da vanguarda paulistana (e da música brasileira ) reviu sua obra em show no Sesc Pompéia: Arrigo Barnabé interpretou canções de diversas fases de sua carreira acompanhado pelo músico Paulo Braga .

Dezessete anos depois da primeira apresentação dos músicos em parceria – os dois se reuniram pela primeira vez em 1992 – Arrigo e Braga mostraram que as inovações estéticas que permeiam as canções de Barnabé permanecem pungentes e ainda são passíveis de reinvenção: postura de vanguarda resistente e interessante, se pensarmos que grande parte da MPB contemporânea – pelo menos aquela parte que ouvimos repetidamente nas rádios – elide ou omite as tensões trazidas à tona por importantes movimentos ocorridos na música popular brasileira , como a Tropicália e a própria Vanguarda Paulistana, da qual Arrigo fez parte (vale ressaltar que o primeiro movimento teve alcance popular infinitamente maior que o segundo).

Tensão estética é o que não falta na obra de Arrigo. Pode-se dizer que o público que lá se encontrava a recebeu festivamente e sem o desconforto que uma obra tão ousada deve ter causado no início dos anos oitenta. No entanto, é preciso dizer que o público não era numeroso, ao menos não tanto quanto em shows de artistas de música popular que apostam na redundância formal e no uso arbitrário de procedimentos estilísticos da tradição de nossa música – procedimentos que um dia tentaram dizer algo sobre nosso país, mas que hoje em dia parecem ser elementos inofensivos de canções absolutamente rendidas à indústria cultural.

Lembro-me vagamente de uma entrevista recente de Caetano Veloso à revista Cult, em que dizia acreditar que as inovações estéticas da Tropicália levadas às massas a partir dos grandes meios de comunicação provocariam alguma mudança no modo como tal massa pensaria a arte, e conseqüentemente o próprio país.

Pensando na força formal da obra de Arrigo e em seu pouco alcance ante ao grande público, na redundância estética e temática de grande parte da atual MPB, é importante repensar a aposta tropicalista.

 

 Assista a um trecho do show:

 

Veja mais em: http://www.youtube.com/balangandans

                      http://www.youtube.com/SerraAzul

 

 




Blog Stats

  • 19,050 hits
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.