Be My Mafia Family!
A revista de poesia “Be My Mafia Family!”, cujo nome refere-se ao jogo “Mafia Wars” do Facebook, teve lançamento virtual na última quarta-feira (17).
Em edição única, a revista virtual de poesia reúne 12 poetas e também amigos que decidiram compartilhar seus fracassos em forma de versos. “Esta revista de poesia terá apenas um número. Único e último. Quase uma carta engarrafada em oceanos de luz. “Be My Mafia Family”, contaminações por linguagens estrangeiras e jogos no Facebook, só poetas amigos ou troca de favores, que época terrível vivemos! Editorial? Poemas sobre fracassos acompanhados por notas explicativas. Exatamente uma revista de poesia. Mais ou menos assim. Tudo o que você sempre quis saber” – esclarecem os poetas sobre a revista.
“Be My Mafia Family!”, será distribuída exclusivamente em formato digital, e poderá ser lida por qualquer internauta. É só fazer o download através dos links:
http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.pdf
http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.epub (formato para Sony Reader)
http://www.arvoreseletricas.com/BMMF/BeMyMafiaFamily.mobi (formato para Kindle)
Os “poetas mafiosos” são: Ana Guadalupe, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Érica Zíngano, Felipe Sentelhas, Lilian Aquino, Maiara Gouveia, Márcio-André, Paulo Ferraz, Rafael Daud, Renan Nuernberger e Ricardo Silveira.
O lançamento oficial da revista será no próximo sábado (20), a partir das 20h, na Choperia Liberdade, onde, segundo os poetas, quem quiser poderá debulhar seus fracassos em voz alta.
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Está em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) até dia 04 de abril, a exposição Gordon Matta -Clark: desfazer o espaço. Sob curadoria de Tatiana Cuevas e Gabriela Rangel, a exposição faz uma retrospectiva da obra do artista norte americano, explorando seus vínculos culturais, afetivos e familiares com a América do Sul, sobretudo com o Chile. Matta-Clark produziu performances e intervenções em edifícios em Santiago, Nova York, Paris, Milão, Gênova, Antuérpia, Nova Jersey e Chicago, além de filmes, fotografias, colagens, desenhos e manifestos escritos.
Matta-Clark é conhecido por ter realizado obras de grande escala, que consistiam em intervenções metafóricas em edifícios condenados à demolição, com o intuito de questionar sua autonomia e a lógica econômica que impulsionou a rápida expansão da arquitetura após os anos de 1.950, à custa de sua função pública. Com isso, o artista indicou o desaparecimento de capítulos não documentados da memória coletiva e, consequentemente, da história e da vida desses lugares.
A obra de Matta-Clark é uma referência entre as propostas artísticas comprometidas politicamente. A reflexão sobre ela enriquece o debate sobre problemas como ganância do mercado imobiliário, a mercantilização da moradia, o uso indiscriminado dos recursos, as dinfunções sociais, e a cegueira das atitudes individualistas.
Desde seu primeiro trabalho, uma ponte de cordas suspensa sobre um desfiladeiro em Ithaca (N.Y.) até as últimas obras inacabadas, Gordon esteve preocupado em conceber novos tipos de espaços habitáveis que estimulassem a vida comunitária.
Nacido em Nova York (1.945), Gordon Matta-Clark estudou literatura francesa na Sorbonne (1.963-4) e depois se graduou em Arquitetura e Urbanismo na Cornell University (1.964-8).
O MAM fica no Parque do Ibirapuera e as entradas para a exposição custam de R$2,50 a R$5,00.
fonte: MODERNO mam extra

Conical Intersect (Paris - 1.975)
Ambicioso corte que permitiu ao artista intervir no entorno do do Centre d’Art Beaubourg (atual Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou.

Tree Dance (1.971)
Obra realizada para a exposição Twenty-Six by Twenty-Six na Vassar College Art Gallery.
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Os Reis e o Rei
O que têm em comum os garotos de Liverpool e o rei da jovem guarda brasileira? O que pode acontecer quando se juntam no mesmo palco Mario Manga, Swami Jr e Tuco Marcondes?
Mario Manga, do Premê e Música Ligeira, é um estudioso e admirador dos Beatles de longa data. Swami Jr, conhecido violonista e arranjador brasileiro, é também produtor da cantora cubana Omara Portuondo. O multiinstrumentista Tuco Marcondes já tocou com grandes nomes da nossa música e toca atualmente com Zeca Baleiro. Essa trinca resolveu, então, juntar seus talentos e deleitar o público com um show em que homenageiam o quarteto fantástico e sua majestade Roberto Carlos.
Será que dá certo?
Para saber das respostas a tantas perguntas só mesmo assistindo ao show do trio Mario Marcondes Jr e quem sabe cantarolar com eles os sucessos inesquecíveis dos Beatles e Roberto Carlos no palco do Toca Brasil, no Itaú Cultural.
Toca Brasil – Mario Marcondes Jr
domingo 27 de setembro 20h
entrada franca – ingresso distribuído com meia hora de antecedência
Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural [247 lugares] | Avenida Paulista 149 − Paraíso − São Paulo SP [próximo a estação Brigadeiro do metrô]
informações 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br
Confira um trecho do show realizado em fevereiro deste ano no Sesc Ipiranga:
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Nossas Conexões (IV)
Mais um poema sob foto do projeto “Nossas Conexões”. Para quem ainda não conhece o projeto, ler post do dia 08/out/2008:
http://balangandans.wordpress.com/2008/10/08/nossas-conexoes/

foto: Fernanda Serra Azul – Recreio dos Bandeirantes – R.J.
Mar
o mar, metonímia
do amor,
não beira minha sacada.
ao contrário: eu
lhe beiro,
o mar, e meus pés
ligeiramente úmidos esquecem-se
na brisa do mormaço.
o amor, como largo
azul profundo,
sem raias nem ladrilhos.
ao contrário: eu
mergulho íngreme,
entre ouriços, e meus pés
perigosamente livres perdem-se
na maré do momento.
Renan Nuernberger
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Fotografia em Foco

Fotografia de Henri Cartier-Bresson
No mês de setembro a fotografia é foco de discussões em São Paulo. Essa semana, de 09 a 13 de setembro, acontecerá a primeira edição do SP Photo Fest, evento realizado pelo Museu da Imagem e do Som, onde profissionais reúnem-se para palestras gratuitas, workshops, debates e leituras de portfólios. O fotógrafo Cristiano Mascaro será o homenageado e participará de palestras. Eustáquio Neves e Fabiana Figueiredo também são convidados.
No dia 10, tem início a SP Arte/Foto, no espaço Iguatemi. A SP Arte/Foto é uma feira de fotografia que reúne o acervo de dezesseis galerias e promove mesas redondas que terão participação do diretor-executivo da agência Magnum, Mark Lubell, do diretor da Maison Européenne de Photographie, Jean-Luc Monterosso, e do fotógrafo francês Elliott Erwitt.
Por fim, no dia 17, estréia no Sesc Pinheiros a exposição Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo. Sob a curadoria de Eder Chiodetto, a exposição reúne 133 imagens com o melhor resumo da trajetória do fotógrafo francês escolhidas por ele mesmo e pertencentes ao acervo da Agência Magnum, fundada por Cartier-Bresson em 1947 . Juntamente com a exposição, será lançado o livro homônimo. Na publicação estão 155 imagens feitas entre 1929 e 1978 — destas, 133 compõem a mostra — escolhidas a dedo por Cartier-Bresson como o extrato de sua trajetória. Paralelamente à exposição do fotógrafo, acontece a Bressonianas, mostra composta pela seleção de 42 imagens de sete fotógrafos brasileiros que tem em suas obras a influência de Bresson, entre eles: Cristiano Mascaro, Flavio Damm, Carlos Moreira, Orlando Azevedo, Juan Esteves, Marcelo Buainain e Tuca Vieira. A exposição fica em cartaz no Sesc Pinheiros até o dia 20 de dezembro.
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Novidades de julho e agosto
Após um longo tempo sem atualização – depois de dois shows muito bons (Caetano e Tom Zé) é difícil manter o fôlego! – temos o prazer de apresentar novidades no Balangandans. Em Conexões, o arquiteto e músico Dante Ozzetti fala como a arquitetura influencia sua música (e vice-versa). Na seção Entrevista, a escritora Ana Rüsche fala sobre as possibilidades da poesia na internet e sobre seus contatos com a latino-américa.
Em breve novos posts sobre shows, peças, debates, lançamentos, etc… Até mais!
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Zii e Zie
ermaneceu ecoando até o fim do show.
nava coreografias com passos agitados e pulos sua voz saía tremida. A segurança da garganta, ao contrário, parecia incidir sobre os gestos meticulosos que ele encenava no palco (destaque, principalmente, para “Eu sou neguinha?” a mais interessante das encenações corporais).
uminava-se com cores fortes.P.S.: A sobreposição das vozes de Marcelo, Ricardo e Caetano no final de “Irene” ficou perfeita!
Assista abaixo a trechos do show:
Veja fotos em:
http://www.flickr.com/photos/balangandans
http://www.flickr.com/serrazul
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Tags:balangandans, bandacê, caetano veloso, são paulo, show, tropicália, zii zie
Balangandans de Junho
O Balangandans de junho já está no ar! Nesse mês trazemos uma entrevista muito interessante com o músico, compositor e cantor Marcelo Jeneci, falando sobre sua carreira solo e seus planos futuros. O conexões, por sua vez, traz a poeta Andréa Catrópa nos contando sobre as influências do cinema na sua produção.
Boa leitura!
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Poesias de Espanha
A rica literatura espanhola não recebe toda atenção que merece no Brasil. Quando se trata das outras literaturas da Espanha a coisa fica ainda mais complicada: não bastasse a falta de familiaridade com a língua, há ainda diferenças na tradição artística, no uso particular das tópicas e na visão de mundo que podem causar estranhamento. Visando a aproximação do público com cada uma destas culturas, a tradução de poemas galegos, catalães, bascos e castelhanos — trabalho hercúleo de Fábio Aristimunho Vargas — precisa ser louvada. Cada uma das antologias parte das origens das respectivas literaturas e percorre seus principais poetas até Guerra Civil Espanhola, encerrada exatamente há 70 anos atrás, em 1º de abril 1939.
O lançamento dos quatro livros ocorrerá esta sexta-feira, dia 03 de abril às 19h na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Paralelamente ao lançamento haverá um debate e um recital quinquelíngue de poesia. O debate abordará o tema “O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão Estebe Ormazabal, professor de língua basca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanhol em Roraima; Paulo Ferraz, poeta e editor, e Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha.
No recital quinquelíngue, escritores convidados farão leituras de poemas em galego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entre outros escritores, Alfredo Fressia, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Dirceu Villa e Ruy Proença. Ao final, serão apresentados vídeos com canções e baladas antigas.

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Caminhando para a segunda década do século XXI ainda não pudemos — ou, melhor, não podemos — compreender profundamente o que foram estes anos 00: desdobramentos do fim da guerra fria, terrorismo, afirmação do neo-liberalismo desdita pela própria postura protecionista dos países mais ricos, crescimento no número de fiéis de algumas religiões, eleição de um operário no Brasil, eleição de um negro nos EUA, anti-imigração na União Européia, crise financeira, assentamento de algumas posturas intelectuais, políticas e/ou estéticas com certo ar de cinismo e/ ou dessistência. Enfim, um momento complexo que precisará ser revisto por estudiosos de muitas áreas para receber melhores avaliações.
Quanto a poesia desta mesma década, 00, as incógnitas são também, como era de se esperar, muitas. As discussões são infindáveis, envolvendo críticos literários, grupos de poetas que se opõem, apropriação do cânone ou revitalização de um “anti-cânone”, experiências e pretensões diversas, legitimidade dos blogs, procura do leitor não-especialista… Obviamente, estas questões não serão respondidas tão cedo — como se, com a virada da década, fosse tudo renovado — mas, enquanto isso, os poetas no Brasil continuam, cada qual a seu modo, organizando textualmente aquilo que acreditam ser o — ou um — caminho para as resoluções estéticas de nosso tempo — e com um pouquinho de sorte, quem sabe, as resoluções, sendo pretensiosas, se encaminhem para outras instâncias? Por hora, fica a antologia Traçados diversos que será lançada amanhã, quinta-feira, dia 19 de março, às 19h na biblioteca Alceu Amoroso Lima. A antologia prima pela diversidade — tal como o nome afirma —, que não se confunde com ecletismo acrítico, e publica poetas como Fabrício Corsaletti, Antonio Cicero, Fernando Paixão, Donizete Galvão, Annita Costa Malufe, Heitor Ferraz Mello, Ruy Proença, Fábio Weintraub, Ricardo Aleixo, Arnaldo Antunes, Chacal, Bruna Beber e Fabiano Calixto. Propostas bastante diferentes entre si mas que merecem ser registradas — desde um velho-de-guerra como Chacal até a mais jovem dentre todos, Bruna Beber, o que se encontra é uma ótima poesia que prova, enfim, o fôlego da produção brasileira, apesar — ou talvez por causa — de seus percalços e desfalques.
O evento de lançamento será apresentado pelo professor Ivan Marques e contará com a leitura de alguns poemas feita pelos próprios autores.

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Querô – Uma Reportagem Maldita

foto: divulgação
Entre prédios abandonados e avenidas largas que misturam os ares belle époque do passado cafeeiro com a imundice presente que todos fingem não existir, o teatro Galpão do Folias – R. Ana Cintra, 213, cruzamento da Av. São João – encena a atualíssima peça de Plínio Marcos, Querô – Uma Reportagem Maldita, que, a seu próprio modo, comenta o ambiente que circunda o teatro.
“Minhas peças são atuais porque o país não evoluiu”, citação de Plínio Marcos inscrita no folder da peça. Esta montagem, feita em homenagem aos dez anos de falecimento do dramaturgo, arriscou algumas alterações na estrutura da obra – como as inversões cronológicas, a reiteração da cena principal, a atualização de alguns aspectos e a rotatividade do elenco – para, deste modo, dar maior fôlego ao debate que pretende suscitar. “O teatro só faz sentido quando é uma tribuna onde se pode discutir até as últimas conseqüências os problemas dos homens”, explica o manifesto dos atores no mesmo folder.
Para o Folias, a peça Querô torna-se uma primeira tentativa de sair de um impasse – o esgotamento das formas de representação até então realizadas pelo grupo que, por sua própria postura, explica-se “pelo esgotamento de formas institucionais de organização social contemporâneas sejam elas políticas, econômicas, governamentais ou não, religiosas, midiáticas, familiares, representacionais, etc”.
Uma tentativa de enfretamento dos impasses – em um momento de falsa harmonia, principalmente na arte – cai muito bem. A peça não visa a conciliação de contradições mas, pelo contrário, a inflação destas. As cenas falsamente edificantes incomodam o espectador em sua cadeira que, se realmente envolvido com a encenação, depois caminha pensativo pela R. Ana Cintra, entre prédios abandonados e largas avenidas.
Mais informações: www.galpaodofolias.com.br
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Nossas Conexões (III)
Mais um poema sob foto do projeto “Nossas Conexões”. Para quem ainda não conhece o projeto, ler post do dia 08/out/2008: http://balangandans.wordpress.com/2008/10/08/nossas-conexoes/

foto: Fernanda Serra Azul – Pq. do Ibirapuera – S.P.
um feixe de sol
contínuo
(seixos, pedras, plantas)
e embora haja caminhos
trilhados para
civilizados
passeios
ainda recreamos
in natura
os olhos câmera
escura,
vislumbram o céu azul
e a relva verde (e, claro,
o caminho trilhado)
mas tudo fixa-se, ainda
que inconscientemente,
no outro lado, nas janelas,
no concreto, edifício
armado
que relembra o
espaço natureza a sua
frente como jardim,
versailles,
espalhafato.
Renan Nuernberger
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O show-homenagem “Carmens Miranda e o Bando de Loucos”, evento promovido pelo SESC Pompéia no sábado passado (dia 28 de fevereiro) foi merecidamente um sucesso de público. As cantoras do Terno de Damas, idealizadoras do projeto, reinterpretaram canções gravadas pela pequena notável em novos e, muitas vezes inusitados, arranjos. Os músicos instrumentistas, apesar da excelente qualidade, cederam espaço para voz – nada mais natural, em se tratando de uma homenagem a Carmen, uma das cantoras que moldou a dicção da música popular brasileira como a prosódia levemente sensual ou a ênfase em certas sílabas/notas capazes de criar duplos sentidos. As três cantoras contaram ainda com a participação de peso de Mário Manga, Maurício Pereira e Carlos Careqa. Os três cantores convidados relatavam sua experiência enquanto ouvintes de Carmen Miranda e sua posição diante do fenômeno e/ou símbolo que a cantora representou no Brasil e no exterior.
O segundo item, obviamente, gerou polêmica que, pelo ambiente próprio de “show” – diferentemente de um “debate” – não foi desenvolvido. Maurício P., por exemplo, apontou o caráter comercial da artista e, mais além, das próprias composições que ela cantava – clássicos de Ary Barroso, Dorival Caymmi entre outros. Careqa, por sua vez, fez enormes digressões – bastante engraçadas, mas não por isso desinteressantes ou vazias – que ilustravam algumas opiniões correntes sobre a cantora e, como não poderia deixar de ser, da relação – que dita nestes termos torna-se ingênua – entre música comercial vs. música de qualidade.
Destaque para as versões de Fon-Fon que recebeu um toque blueseiro na interpretação de Maurício, de Mamãe eu quero que Manga arranjou em levada jazzística e para a canção final Ta-hi, cantada por todos, quando Careqa convidou alguns expectadores a dançar no palco. Shows como este, de ótima qualidade musical e com pessoas interessantes que não se furtam em tomar posição diante do que se fez e do que se faz em sua área, valem realmente a pena!
Assista a um trecho do show:
Para ver fotos acesse: http://www.flickr.com/photos/serrazul
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É carnaval
Dizem por aí que no Brasil as coisas só engatam depois do Carnaval. Pois o Balangandans aqui está para infringir a máxima popular, embora quase tenha feito jus a ela: ainda é Carnaval, mas cá estamos atualizando nossas já tradicionais (?) sessões Conexões e Entrevista do mês.
Desta vez, o Conexões traz o músico Marcelo Jeneci, que já integrou a banda de Chico César e de Arnaldo Antunes, e atualmente está trabalhando na carreira solo, cujo cd deve ser lançado em breve! Ele falou ao Balangandans sobre sua relação com o cinema de Walter Salles.
E temos como entrevistada do mês a cantora e compositora Ceumar, abordando muita música popular contemporânea e revisitando alguns pontos do seu passado ligados com sua carreira.
De resto, desejamos que todos estejam aproveitando os dias de folia, e, se conseguirem se recuperar, que confiram o conteúdo atualizado desse blog na quarta-feira de cinzas…
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Durante os últimos dias muito se falou sobre a pequena notável, Carmen Miranda. As comemorações de seu centenário reafirmam a permanência de sua figura no imaginário popular que, para o bem ou para o mal, tomou-a como representação profunda do Brasil. Embora nascida portuguesa, Carmen moldou com trejeitos, balangandans, malícia e outras cositas muitos símbolos nacionais reconhecidos mundialmente.
Sua ascensão em Hollywood, cantando sambas e marchinhas de compositores que se tornariam clássicos (Assis Valente, Lamartine Babo, Ary Barroso, Dorival Caymmi), é uma metonímia da relação cultural entre o Terceiro e o Primeiro Mundo: vendida como “macumba pra turista”, pelo exotismo e pela extravagância, mal se percebeu (lá fora) o tamanho do estardalhaço que aquilo continha em germe. Mais que passatempo na matinê de domingo, a alegria (“a prova dos nove”) de Carmen, seu modo de estar-em-cena, seus arranjos com frutas na cabeça, suas cores e ombros a mostra, legitimavam a música popular brasileira, sua originalidade, sua força expressiva e, principalmente, sua relação intrínseca com o corpóreo e o imediato (para quem compõe, para quem canta, para quem ouve).
Não à toa, os tropicalistas a elegeram como musa inspiradora: as tintas fortes com que pintava a “brasilidade” não borravam, antes destacavam todos os pontos (nossos orgulhos e nossas vergonhas) desta sensibilidade ainda hoje em evidente formação (apesar dos escorregões e desvios de rota). “Disseram que voltei americanizada” quando, de fato, com a carreira internacional Carmen foi mais brasileira do que nunca…
Em homenagem a nossa primeira grande estrela o Sesc Pompéia realizará, no dia 28 de fevereiro o show “Carmen Miranda e o Bando de Loucos” com a participação de Carlos Careqa, Mário Manga, Maurício Pereira e o grupo vocal Terno de Damas.
Mais informações no site do Sesc: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=145922
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